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Massacre de Eldorado dos Carajás completa 30 anos com conflitos agrários ainda presentes no Pará

Levantamento da Comissão Pastoral da Terra aponta mais de 200 áreas em disputa e cerca de 20 mil famílias envolvidas no estado

Três décadas após o Massacre de Eldorado dos Carajás, o Pará ainda registra disputas por terra em diferentes regiões. Dados da Comissão Pastoral da Terra indicam que mais de 200 áreas estão em conflito, envolvendo cerca de 20 mil famílias.

A data é marcada por mobilizações organizadas por movimentos sociais, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Participantes realizam caminhada entre Curionópolis e Eldorado dos Carajás, percurso que remete ao trajeto feito por trabalhadores rurais em abril de 1996.

No ponto conhecido como Curva do S, às margens da rodovia PA-150, cruzes e estruturas lembram os mortos durante a operação policial. Familiares e sobreviventes mantêm registros do episódio em espaços de memória na região.

Relembre o caso

Em 17 de abril de 1996, uma ação da Polícia Militar resultou na morte de 21 trabalhadores rurais que participavam de uma ocupação na rodovia. Dezenove morreram no local e dois após atendimento hospitalar. Outras 69 pessoas ficaram feridas.

Segundo investigações conduzidas pelo Ministério Público, houve uso de força letal durante a operação. O caso também apontou irregularidades na condução da ação policial.

Entre os 155 agentes envolvidos, dois comandantes foram condenados. Mário Pantoja recebeu pena superior a 200 anos de prisão e morreu em 2020. José Maria de Oliveira foi condenado a mais de 150 anos e cumpre pena em regime domiciliar.

Dados sobre conflitos no campo

Levantamentos da Comissão Pastoral da Terra mostram que o Pará segue entre os estados com maior número de conflitos agrários no país. Em 2023, o estado ocupou a segunda posição no ranking nacional.

Em quatro décadas, foram registrados 59 conflitos com mortes no estado, totalizando 317 trabalhadores rurais e lideranças assassinados. Segundo os dados, apenas oito casos tiveram julgamento de responsáveis.

As ocorrências estão relacionadas a disputas por terra e ocupações em áreas rurais. A CPT aponta que os registros continuam sendo monitorados por organizações e órgãos públicos.

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