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Fisioterapeuta morre após infecção por fungo presente em fezes de garças na Praça Batista Campos atingir o cérebro

A morte de um fisioterapeuta de 53 anos após desenvolver uma infecção fúngica grave, supostamente relacionada ao contato com fezes de garça, colocou autoridades e especialistas em alerta em Belém. O caso ocorreu após um episódio aparentemente banal, mas que evoluiu para uma condição severa, com o fungo atingindo o cérebro e os pulmões da vítima.

Segundo relatos, o homem foi atingido na cabeça por fezes de uma ave na Praça Batista Campos, um dos espaços públicos mais tradicionais e movimentados da capital paraense. Dias depois, começou a apresentar sintomas como fortes dores de cabeça, cansaço extremo e mal-estar geral. Mesmo com atendimento médico e início de tratamento, o quadro se agravou ao longo dos meses, levando ao óbito.

Infecção rara, mas perigosa

De acordo com informações médicas divulgadas no caso, a infecção foi causada por um fungo que pode estar presente em fezes de aves, especialmente em ambientes com grande concentração desses animais. Entre as doenças associadas está a criptococose, que pode afetar o sistema respiratório e, em casos mais graves, atingir o sistema nervoso central.

Durante o tratamento, o paciente chegou a passar por diversos procedimentos, incluindo múltiplas punções para retirada de líquido do cérebro, além do uso de medicamentos específicos — alguns deles importados. Apesar dos esforços, não houve reversão do quadro.

Especialistas explicam que esse tipo de infecção não é comum, mas pode ocorrer principalmente em pessoas com imunidade comprometida ou expostas a altas concentrações do fungo por tempo prolongado.

Problema antigo na praça

Moradores e frequentadores da Praça Batista Campos afirmam que a presença intensa de garças no local não é recente. Desde pelo menos 2023, há registros de reclamações sobre o acúmulo de fezes, o forte odor e os impactos na utilização do espaço.

“As garças já inutilizaram uma grande parte da praça. O cheiro e a sujeira afastam as pessoas. Agora, com esse caso, a preocupação aumentou muito”, relatou um morador da área.

As aves utilizam as árvores da praça como dormitório, o que faz com que grandes quantidades de dejetos se concentrem em áreas de circulação, bancos e calçadas.

Risco à saúde pública

Embora o contato ocasional com fezes de aves não represente, na maioria dos casos, um risco grave, a situação muda quando há alta concentração do material em ambientes urbanos. Nesses cenários, pode haver proliferação de fungos e bactérias capazes de causar doenças.

O caso reacende o debate sobre manejo de fauna urbana e políticas de controle ambiental. Especialistas apontam que medidas como limpeza frequente, monitoramento sanitário e manejo adequado das aves são fundamentais para reduzir riscos.

O que dizem as autoridades

Até o momento, não há confirmação oficial de interdição da praça, mas o episódio deve pressionar órgãos municipais a adotarem medidas mais efetivas. A situação envolve não apenas saúde pública, mas também equilíbrio ambiental, já que as garças fazem parte do ecossistema local.

Orientações à população

Diante do cenário, profissionais de saúde recomendam alguns cuidados básicos:

  • Evitar contato direto com fezes de aves
  • Higienizar bem as mãos após frequentar áreas com presença intensa de animais
  • Procurar atendimento médico ao apresentar sintomas persistentes, como dor de cabeça intensa e febre
  • Evitar permanecer por longos períodos em locais com forte odor ou acúmulo de dejetos

O caso serve de alerta para um problema que, até então, era tratado principalmente como incômodo urbano. Agora, passa a ser encarado como uma questão de saúde coletiva que exige resposta rápida e coordenada.

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