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O berço do jiu-jítsu brasileiro é Belém, não o Rio de Janeiro. Entenda a história

Cidade foi palco do encontro entre Carlos Gracie e Mitsuyo Maeda, episódio considerado fundamental para o desenvolvimento da arte marcial que mais tarde ganharia projeção mundial.

Quando se fala em jiu-jítsu brasileiro, o imaginário popular costuma direcionar a origem da modalidade para o Rio de Janeiro. A associação não é por acaso. Foi na capital fluminense que a família Gracie expandiu academias, popularizou a luta e construiu a reputação que levou o esporte aos quatro cantos do planeta. Entretanto, um capítulo fundamental dessa história começou milhares de quilômetros antes, em Belém do Pará.

No início do século XX, a família Gracie vivia na capital paraense, atraída pelas oportunidades econômicas geradas pelo ciclo da borracha. Foi nesse período que o jovem Carlos Gracie conheceu o japonês Mitsuyo Maeda, conhecido internacionalmente pelo apelido de Conde Koma. Considerado um dos principais discípulos do criador do judô, Maeda havia se estabelecido em Belém e realizava demonstrações da arte marcial japonesa em diferentes espaços da cidade.

Um dos locais associados a esse encontro histórico é o Teatro da Paz, um dos maiores símbolos do patrimônio cultural paraense. Conhecido por receber apresentações artísticas e eventos sociais desde o século XIX, o espaço também foi palco de exibições de artes marciais durante o período em que Maeda divulgava suas técnicas na região.

A partir desse contato, Carlos Gracie tornou-se aluno do mestre japonês. Maeda também ministrava treinamentos em espaços esportivos da cidade, incluindo dependências ligadas ao Clube do Remo. Os ensinamentos transmitidos ao jovem paraense serviriam de base para o desenvolvimento de técnicas que posteriormente seriam aperfeiçoadas e adaptadas pelos irmãos Gracie.

Enquanto a trajetória da família seguiria rumo ao Rio de Janeiro alguns anos depois, a semente da modalidade já havia sido plantada em Belém. Na capital fluminense, Carlos e seus irmãos passaram a ensinar as técnicas aprendidas com Maeda, realizando desafios contra praticantes de outras lutas e ajudando a construir a identidade própria do que ficaria conhecido mundialmente como Brazilian Jiu-Jitsu.

A história de Mitsuyo Maeda, porém, permaneceu profundamente ligada ao Pará. Além de difundir o judô e formar praticantes locais, o japonês teve papel importante no apoio à comunidade nipônica que se estabeleceu na Amazônia ao longo do século XX. Sua atuação ultrapassou o esporte, contribuindo para a integração de imigrantes japoneses na região.

Até hoje, vestígios dessa história permanecem em Belém. A residência onde Maeda viveu com sua esposa ainda existe e preserva características originais da época. O lutador também está sepultado na capital paraense, onde viveu grande parte de sua trajetória no Brasil e deixou um legado que ultrapassa gerações.

Por isso, embora o Rio de Janeiro tenha sido responsável pela popularização internacional da modalidade, muitos pesquisadores e historiadores das artes marciais defendem que Belém ocupa um papel central na origem do jiu-jítsu brasileiro. Foi na capital paraense que ocorreu o encontro entre mestre e discípulo que mudaria para sempre a história dos esportes de combate no país e daria origem a uma das maiores exportações esportivas brasileiras para o mundo.

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