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FAVELA: Ocupação avança sobre área da Eletronorte e amplia desmatamento no Barreiro, em Belém

Comunidade Miramar Chalon cresce sobre um dos últimos remanescentes de floresta da região. Imagens de satélite mostram expansão contínua da ocupação nos últimos anos.

A ocupação Miramar Chalon, localizada entre os bairros Barreiro e Miramar, em Belém, continua avançando sobre uma área pertencente à Eletronorte, transformando um dos últimos remanescentes de floresta da região em uma nova frente de expansão urbana irregular.

Quem passa pelo local encontra uma comunidade em crescimento. Casas de madeira e alvenaria surgem onde antes predominava a vegetação, enquanto novas ruas são abertas gradativamente. O cenário reflete um processo que se repete em diversas áreas de Belém e da Região Metropolitana, onde ocupações irregulares têm avançado sobre terrenos públicos e privados nos últimos anos.

Segundo moradores, a ocupação começou há cerca de cinco anos e continua recebendo novas famílias. Imagens de satélite permitem acompanhar a evolução da comunidade, evidenciando o aumento da área ocupada e a redução da cobertura vegetal ao longo desse período.

Infraestrutura ainda é precária

Apesar do crescimento populacional, a Miramar Chalon ainda não possui infraestrutura urbana consolidada.

Moradores relatam que as vias permanecem em condições precárias, principalmente durante o período chuvoso, quando a lama dificulta a circulação de pessoas e veículos.

O fornecimento de energia elétrica, segundo a comunidade, foi organizado pelos próprios moradores. Também há reclamações sobre a ausência de serviços públicos essenciais, como drenagem, pavimentação, saneamento básico, iluminação pública, equipamentos comunitários e ações de regularização fundiária.

Fenômeno se repete em Belém

A expansão da Miramar Chalon faz parte de um fenômeno observado em diferentes pontos da capital paraense e da Região Metropolitana. Nas últimas décadas, dezenas de ocupações surgiram em áreas públicas, particulares e de preservação ambiental, impulsionadas pelo déficit habitacional, pelo crescimento urbano e pela dificuldade de acesso à moradia formal.

Especialistas apontam que esse processo cria um desafio complexo para o poder público, que precisa conciliar a proteção ambiental, a segurança jurídica das áreas ocupadas e o direito à moradia das famílias que passaram a viver nesses locais.

No caso da área da Eletronorte, o avanço da ocupação também levanta preocupações ambientais, já que a comunidade cresce sobre uma faixa que ainda preservava vegetação nativa e desempenhava importante função ecológica dentro da malha urbana de Belém.

Até o momento, não há informações sobre eventuais ações de reintegração de posse, regularização da área ou projetos de urbanização voltados à comunidade. O espaço permanece aberto para manifestação da Eletronorte e dos órgãos públicos responsáveis sobre a situação da ocupação.

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