Uma força-tarefa da Prefeitura de Belém segue atuando na limpeza de um grande lixão irregular nas proximidades do canal São Joaquim, dentro da bacia do Mata Fome. A ação ocorre paralelamente à demolição de estruturas irregulares e não tem prazo para terminar.
Até o momento, já foram retiradas mais de 800 toneladas de resíduos e cerca de 120 caçambas de entulho, que estão sendo encaminhadas ao Aterro do Aurá. O volume impressiona e ajuda a explicar o colapso no escoamento da água durante as chuvas intensas que atingiram a capital.
Entulho agravou crise dos alagamentos
O acúmulo de lixo foi apontado como um dos principais fatores para o represamento da água, contribuindo diretamente para os alagamentos que atingiram bairros como Pratinha, Tapanã e São Clemente.
As chuvas ultrapassaram 150 mm em menos de 24 horas — um dos maiores volumes já registrados na cidade — e afetaram cerca de 44 mil pessoas, deixando aproximadamente 13 mil desalojadas ou desabrigadas.
Operação atinge toda a bacia
De acordo com Marcos Carvalho, coordenador de macrodrenagem da Superintendência de Drenagem Urbana e Saneamento Integrado (Suds), a ação vai além do canal principal.
“A operação envolve toda a bacia do Mata Fome, que possui cerca de 12 quilômetros de extensão e recebe águas de outros canais, como Iara e Parque União. Encontramos um grande ponto de obstrução, inclusive com um chiqueiro dentro do canal, que estava segurando a água”, explicou.
Estrutura reforçada e prioridade máxima
A operação mobiliza cerca de 120 trabalhadores, três equipamentos pesados e 25 caçambas, atuando diariamente desde a última segunda-feira (20).
Segundo a prefeitura, todo material irregular que esteja impactando o fluxo da água será retirado com prioridade. A remoção do chiqueiro, por exemplo, faz parte das medidas emergenciais para restabelecer o escoamento e reduzir o risco de novos alagamentos.
Medidas estruturais a caminho
A ação integra o decreto de situação de emergência em Belém. Além da limpeza, o prefeito Igor Normando anunciou o início das obras de macrodrenagem do Mata Fome e a pavimentação de 40 ruas no bairro do Tapanã até o fim de abril.
A expectativa é que, além das medidas emergenciais, as intervenções estruturais ajudem a evitar que cenas como as registradas nos últimos dias voltem a se repetir.



