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Baixada não é favela, Gaby

O ex-presidente Lula uma vez confessou que, em turnê que fez pela Europa em 2005, mentia sobre o número de crianças de rua que existiam no Brasil. “Eu disse em Paris que aqui tinha 25 milhões de crianças na rua! Todos aplaudiam! Kkkkkk”.

Pelo jeito, a diva do tecnobrega paraense, Gaby Amarantos, parece seguir a mesma linha do político pelo qual nunca escondeu a simpatia.

Em entrevista ao jornal Extra, a jurunense, que passou a apresentar o programa The Voice Kids na TV Globo, falou sobre sua infância em Belém. “Era bala perdida todo dia. A gente ia para escola e passava por corpos estendidos na esquina por causa de chacina ou operação da polícia”.

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Não demorou para causar um verdadeiro frenesi de revolta e indignação nos internautas, moradores da capital paraense, além dos fãs da cantora. Ora, se o bairro do Jurunas não é lá um primor de segurança, não se compara aos morros do Rio e muito menos à faixa de Gaza, conforme a descrição deturpada e histriônica da cantora.

“Pera lá né”!!!…… Será que é assim que a cantora nos descreve para os de fora? Já não bastava sermos conhecidos pelas cobras e jacarés nas ruas, agora seremos também pelos corpos e balas da Gaby?

Na Tv Globo, vez por outra, surge um artista com uma história sofrida de pobreza em uma ladainha de provações até chegar o estrelato, criando um vínculo de comoção e simpatia com o grande público.

Ora, se Gaby queria fazer o mesmo, deveria ter ido devagar com o andor e não ter exagerado na dose, porque baixada não é favela, nem Belém é o Rio de Janeiro.

Será que, por não morar mais na terrinha e passar por aqui pouquíssimas vezes, a musa tenha esquecido, por completo, como as coisas são e funcionam aqui para os papa chibés? Só falta aparecer, com uma tigela de açaí, em um comercial de granola para provocar, de vez, a ira dos paraenses.

Olha, se houve de fato essa bala perdida, pelo jeito ela pode ainda estar alojada na cabeça da Gaby.

Comparar a violência que existe em Belém com a verdadeira guerra civil que existe no Rio, com fuzis, bazucas e armamento militar pesado, ou é cafajestismo intelectual e vitimismo canhestro ou completa ignorância sobre o que é a verdadeira pobreza e violência. Senão ambos.

Qual deles vocês apostam?

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