O Pará reafirma sua posição como protagonista absoluto na produção de dendê no Brasil. Segundo estudo da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa), o estado responde por aproximadamente 97% da produção nacional e cerca de 98% do valor gerado pelo setor, consolidando uma hegemonia praticamente total na cadeia produtiva.
Crescimento histórico do setor
Os dados mostram uma expansão impressionante ao longo das últimas décadas. A produção brasileira saltou de 242,8 mil toneladas em 1988 para 3,2 milhões de toneladas em 2024, um crescimento superior a 13 vezes.
Esse avanço se intensificou principalmente a partir dos anos 2000 e ganhou ainda mais força após 2018, com o Pará liderando esse movimento. Entre 2023 e 2024, por exemplo:
- A produção nacional cresceu 11,2%
- O Pará aumentou sua produção em 10,4%, chegando a 3,1 milhões de toneladas
Na prática, isso significa que o desempenho do estado define quase completamente o resultado nacional da dendeicultura.
Produção concentrada no Pará
A atividade é altamente concentrada dentro do próprio estado. Apenas alguns municípios concentram grande parte da produção, com destaque para:
- Tailândia – responsável por quase um terço da produção nacional
- Tomé-Açu
- Moju
Juntos, cerca de dez municípios paraenses respondem por aproximadamente 90% de todo o dendê produzido no Brasil.
Outros estados, como Roraima e Bahia, também apresentam crescimento, mas ainda têm participação pequena, somando menos de 3% da produção nacional.
Impacto econômico e estratégico
A dendeicultura se tornou uma atividade estratégica para o Pará, impulsionando:
- Geração de emprego e renda
- Expansão do agronegócio regional
- Fornecimento de matéria-prima para indústria alimentícia e biocombustíveis
O óleo de palma, derivado do dendê, tem ganhado destaque também na produção de energia, sendo considerado importante na redução da emissão de carbono.
Dendê e sustentabilidade
Além do impacto econômico, o cultivo de dendê tem sido associado à recuperação ambiental no estado. Segundo o estudo:
- A área reflorestada com dendê ultrapassa 200 mil hectares
- A captura de carbono chegou a mais de 13 milhões de toneladas de CO₂ em 2024
Esse modelo, baseado no uso de áreas degradadas, posiciona a cultura como uma alternativa que combina produção agrícola com recomposição florestal.
Desafios do setor
Apesar da consolidação, o estudo aponta desafios importantes para o futuro da cadeia produtiva, como:
- Aumento da produtividade
- Ampliação do acesso a financiamento
- Diversificação de mercados
- Manutenção da sustentabilidade ambiental



