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Arranha-céu amazônico proposto por estudantes da Arquitetura vence concurso internacional

Reflorestamento, preservação, fiscalização e desenvolvimento econômico. Esses atributos foram conciliados na concepção do projeto The Blossom Building, de autoria de quatro estudantes da Escola de Arquitetura da UFMG. O arranha-céu proposto em plena floresta amazônica, equipado com restaurante, auditório, espaço de convivência, laboratórios, observatório, canteiros, estação de drones e habitações, rendeu tripla premiação e um prêmio de quatro mil euros aos estudantes Adriane Pacheco, Letícia Armond, Sara Vasconcellos e Mauro Franco, no Skyscraper Challenge. O concurso é promovido anualmente pela plataforma Bee Breeders, sediada na Letônia. Todo o processo ocorreu de forma virtual.

“Queríamos chamar a atenção do mundo para a necessidade de conservação da Floresta Amazônica e projetamos uma solução utópica”, introduz Letícia Armond. O terreno escolhido para o empreendimento, com área de 10,4 mil metros quadrados, fica na cidade de Baião, no Pará, às margens do Rio Tocantins. A região atualmente é devastada por queimadas ilegais decorrentes da pecuária extensiva.

Conceito ousado
Conforme o comentário publicado pelos jurados, o projeto premiado chamou a atenção para a dialética entre a preservação da natureza e a exploração do solo – desafio que caracteriza a relação entre o crescimento das cidades e a fragilidade do ambiente natural. “O conceito é ousado e ambicioso, proposto com clareza e visão, de abordagem inovadora e sensível. A representação gráfica do projeto incorporou sua estratégia mantendo a integridade do design”, registraram os jurados.

Os autores propuseram a restauração do terreno com agroflorestas. “Uma estação de drones, instalada no edifício, ajudaria a espalhar sementes nativas na Amazônia e a fiscalizar queimadas em um raio de 30 quilômetros, informa Letícia Armond, relatando um dos trunfos que renderam ao grupo o reconhecimento pelas iniciativas em favor da sustentabilidade.

Adriane, Letícia, Sara e Mauro também priorizaram o desenvolvimento econômico da região. Eles projetaram canteiros para cultivo de soja hidropônica em larga escala nos andares do prédio, em uma área de cinco hectares. O escoamento da produção seria feito com uso da tecnologia de tubos de pressão até o porto de Vila do Conde, a 200 quilômetros de Baião. O local é a principal via de exportação da soja produzida no Brasil. “Sugerimos um tipo de cultivo realizado fora do solo, evitando que implicasse mais desmatamento”, reforça Letícia.

Recomeço
A irrigação das plantações e o abastecimento de água do imóvel seriam viabilizados por um sistema de captação da chuva – mecanismo favorecido pela alta pluviosidade da região amazônica. Letícia Armond destaca ainda que os profissionais envolvidos em todas as atividades teriam habitação no próprio edifício, o que mitigaria os impactos da aglomeração e da formação de uma zona urbana no meio da floresta.

O nome Blossom (que significa flor), escolhido para o empreendimento, tem inspiração, segundo a autora, na ideia de “novo começo, renascimento que contempla a natureza”. O trabalho começou durante as férias escolares dos estudantes, que tiveram dois meses para concluí-lo. “Durante a pesquisa, descobrimos maneiras de projetar e aprendemos a utilizar novos softwares. Todo o processo foi um incentivo para aprofundarmos o aprendizado da arquitetura como meio de solucionar questões sociais”, conclui Letícia Armond.

Com informações Universidade Federal de Minas Gerais*

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