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Nutricionista questiona crença em alimentos “remosos” e vídeo gera debate nas redes sociais

Publicação da nutricionista Maju Engracia defende que não há evidências científicas para restringir carne suína, frutos do mar e outros alimentos durante a cicatrização, dividindo opiniões entre internautas.

Uma publicação da nutricionista Maju Engracia reacendeu nas redes sociais o debate sobre os chamados alimentos “remosos”, expressão popular usada para designar alimentos que supostamente prejudicariam a cicatrização e favoreceriam inflamações. No vídeo, gravado durante seu pós-operatório de uma mastopexia com prótese, a profissional afirma que a classificação não é reconhecida pela ciência e que não existem evidências de que carnes suínas, camarão ou frutos do mar atrapalhem a recuperação de feridas.

Ao relatar uma conversa com sua médica e responder a dúvidas de seguidores, a nutricionista disse que recebeu apenas orientações gerais para manter uma alimentação equilibrada, com boa ingestão de proteínas, hidratação e moderação no consumo de álcool, açúcar e frituras. Segundo ela, alimentos como lombo suíno, filé mignon suíno, peixes e camarão são fontes de proteína que podem, inclusive, contribuir para o processo de cicatrização. A profissional também criticou recomendações sem respaldo científico, inclusive quando atribuídas a médicos, e incentivou o público a buscar evidências sobre o tema.

O conceito de alimento “remoso” tem origem em crenças populares transmitidas entre gerações e está ligado à miscigenação das tradições alimentares indígenas, africanas e europeias. A nutricionista cita ainda uma hipótese levantada por um estudo de 2013, que buscou relacionar alguns animais à transmissão de bactérias por se alimentarem de matéria em decomposição, mas afirma que essa explicação não encontrou comprovação científica.

Entre os comentários da publicação, o assunto dividiu opiniões. Enquanto alguns internautas afirmaram que a crença faz parte da cultura, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, outros questionaram sua veracidade. Houve também quem relatasse continuar evitando determinados alimentos após cirurgias por tradição familiar, mesmo reconhecendo a ausência de comprovação científica.

Na medicina e na nutrição, o termo “remoso” não integra classificações técnicas. O entendimento predominante é que não há evidências de que esses alimentos prejudiquem a cicatrização de forma geral. Especialistas destacam que restrições alimentares costumam ser indicadas apenas em casos específicos, como alergias ou intolerâncias, enquanto proteínas presentes em carnes magras, peixes, ovos e frutos do mar são consideradas importantes para a regeneração dos tecidos durante a recuperação.

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