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RETROCESSO: grande invasão avança sobre área de preservação próxima à nova Orla de Ananindeua

Ocupação irregular destrói mata próxima à Orla de Ananindeua e acende alerta para impactos ambientais, sanitários e urbanos

Uma grande invasão em uma área de preservação permanente (APP), localizada às margens do Rio Maguari, próximo à Orla de Ananindeua, está chamando a atenção pelo avanço da derrubada da vegetação nativa para a construção de barracos.

As imagens registradas no local mostram a abertura de clareiras em plena mata ciliar, uma vegetação fundamental para proteger o rio contra erosões, reduzir o assoreamento, preservar a biodiversidade e contribuir para a qualidade ambiental da região.

O cenário representa um contraste com a transformação urbana vivida por Ananindeua nas últimas duas décadas. Desde a implantação do programa Minha Casa, Minha Vida e a execução de grandes obras de macrodrenagem e saneamento, milhares de famílias foram retiradas de áreas de risco e de ocupações irregulares às margens de canais e igarapés.

Esses investimentos permitiram reduzir significativamente as invasões em áreas ambientalmente sensíveis e contribuíram para melhorar os indicadores urbanos do município, que durante anos esteve entre as cidades brasileiras com os piores índices de saneamento básico.

Agora, a ocupação irregular nas proximidades da Orla de Ananindeua reacende o alerta para um possível retrocesso. Sem infraestrutura de abastecimento de água, coleta de esgoto, drenagem e manejo adequado de resíduos sólidos, ocupações desse tipo costumam gerar impactos ambientais e sanitários, além de aumentar a pressão sobre os recursos naturais.

A preocupação também se deve à localização da invasão. A área fica próxima à orla do Rio Maguari, um dos principais espaços de lazer e contemplação do município, onde o poder público realizou investimentos para valorizar a paisagem, estimular o turismo e promover a recuperação da frente d’água.

Especialistas apontam que a preservação das áreas de APP é essencial para manter o equilíbrio ambiental e reduzir riscos de enchentes, erosões e degradação dos cursos d’água. A retirada da vegetação ciliar compromete essas funções e dificulta futuras ações de recuperação ambiental.

O avanço da ocupação reforça a necessidade de fiscalização permanente e de políticas públicas que conciliem o direito à moradia com a proteção ambiental, evitando que áreas protegidas sejam ocupadas e que Ananindeua volte a enfrentar problemas que marcaram seu processo de urbanização nas décadas passadas.

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