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OPINIÃO: Paysandu está certo em evitar Pampam nesse período eleitoral, apesar dele ser amado

A decisão pode ser compreendida como uma medida de cautela para impedir que a imagem de um dos torcedores mais queridos do clube seja associada, ainda que indiretamente, a uma campanha política

A questão não é Pampam

Pampam conquistou um espaço especial entre os torcedores do Paysandu. Sua presença nos jogos, especialmente ao lado do meia Marcinho, deixou de ser apenas uma participação eventual e passou a representar uma das imagens mais conhecidas do clube nos últimos meses.

Por isso, a ausência do torcedor nas entradas dos jogadores naturalmente chama atenção. A relação construída com a torcida é pública, afetiva e anterior ao atual cenário eleitoral.

O problema, portanto, não está na presença de Pampam como torcedor. Está no contexto em que sua imagem passou a circular.

Pampam aparece atualmente associado a um projeto eleitoral liderado pelo ex-jogador Agnaldo, conhecido como “Seu Boneco”, candidato a deputado federal pelo PDT. A campanha utiliza o nome “Agnaldo e a Turma do Pampam” e explora a imagem do torcedor em conteúdos relacionados ao projeto político.

É justamente essa associação que torna a situação diferente.

O Paysandu precisa preservar sua imagem

Um clube de futebol possui uma identidade que ultrapassa dirigentes, jogadores e campanhas eleitorais. O Paysandu é uma instituição que reúne torcedores com diferentes posições políticas e, por isso, qualquer associação entre a marca do clube e determinado candidato pode gerar interpretações que a instituição talvez não queira assumir.

A questão fica ainda mais delicada quando a pessoa envolvida é alguém cuja imagem já está fortemente ligada ao clube.

Pampam não entra em campo como candidato, não faz discurso político durante o protocolo e, segundo seu cuidador, costuma aparecer com a camisa do Paysandu e o colete de sócio-torcedor.

Mas a imagem pública não funciona apenas pela intenção de quem aparece nela.

Se uma pessoa que se tornou símbolo de um clube passa a ser utilizada simultaneamente em uma campanha eleitoral, existe o risco de que imagens produzidas no ambiente esportivo sejam interpretadas fora daquele contexto.

É essa possibilidade que explica a cautela.

Boa intenção não elimina o problema

Também não é necessário presumir má-fé de quem está ao lado de Pampam.

A relação dele com Agnaldo pode envolver amizade, carinho e uma história construída ao longo dos anos. Da mesma maneira, a família e as pessoas próximas podem entender que sua participação em atividades políticas ocorre de maneira legítima e sem qualquer intenção de prejudicar o Paysandu.

Isso, entretanto, não elimina a necessidade de separar os ambientes.

Uma coisa é Pampam ser torcedor do Paysandu e participar das atividades do clube. Outra é sua imagem ser utilizada em uma campanha eleitoral enquanto ele continua aparecendo em momentos oficiais relacionados ao time.

A mistura dos dois universos pode produzir uma associação que não depende necessariamente da intenção original de ninguém.

O cuidado precisa ser com Pampam também

Existe ainda outro aspecto importante.

Pampam não deveria ser transformado no responsável por uma discussão que envolve decisões de adultos. Ele é uma figura querida pela torcida e se tornou muito maior do que qualquer campanha específica.

Sua popularidade foi construída no futebol, na relação com os jogadores e no carinho recebido das arquibancadas. A própria repercussão de sua ausência demonstra o tamanho desse vínculo.

Por isso, uma eventual decisão do Paysandu de afastá-lo temporariamente dos protocolos não precisa ser interpretada como rejeição a Pampam.

Pode ser compreendida como uma tentativa de impedir que ele seja colocado no centro de uma disputa política da qual o clube precisa se manter separado.

O clube também precisa evitar interpretações

O Paysandu, segundo relatos publicados sobre o caso, atribuiu a decisão ao receio de divulgação ou associação com candidatos durante o período eleitoral. O clube, procurado pela imprensa, informou que não se manifestaria sobre o assunto.

Enquanto não houver uma manifestação oficial mais detalhada, não é possível afirmar quais foram exatamente os critérios internos utilizados pela diretoria.

Mas é possível compreender a preocupação institucional.

Em um período eleitoral, qualquer imagem pública pode ganhar uma leitura política diferente daquela originalmente pretendida. E quando essa imagem envolve um clube de futebol com uma torcida numerosa e diversa, a cautela pode ser uma forma de proteger a própria instituição.

Isso não diminui Pampam.

Pelo contrário. Talvez justamente por ele ser tão querido, sua imagem mereça ser protegida para que não seja reduzida a instrumento de uma disputa eleitoral.

Pampam pertence à história recente do Paysandu como torcedor, personagem e símbolo de carinho da torcida. A política é apenas uma circunstância que entrou no caminho dessa história.

Por isso, a discussão deveria ser menos sobre afastar Pampam e mais sobre preservar os espaços. O futebol pode continuar sendo futebol, Pampam pode continuar sendo Pampam, e a política deve permanecer no seu próprio ambiente.

Nesse cenário, a cautela do Paysandu pode ser compreendida não como punição ao torcedor, mas como uma tentativa de impedir que uma figura querida pelo futebol paraense seja involuntariamente colocada no meio de uma disputa eleitoral.

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