Cerca de 3 mil entidades do setor produtivo brasileiro se uniram em um manifesto para cobrar posicionamento do Supremo Tribunal Federal diante da crise institucional que envolve ministros da Corte, a Polícia Federal e investigações relacionadas aos casos Banco Master e INSS.
Intitulado “Manifesto à Nação”, o documento é liderado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e reúne algumas das principais entidades empresariais do país. Segundo os signatários, as organizações representam aproximadamente 90% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e cerca de 40 milhões de empregos.
Entre as instituições que aderiram ao manifesto estão a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), a Confederação Nacional do Comércio (CNC), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e a FecomercioSP.
Entidades pedem análise pública do STF
No documento, o setor produtivo afirma que o Brasil atravessa uma crise institucional de grande dimensão e defende que o próprio Supremo adote medidas para esclarecer os fatos que estão no centro da disputa.
As entidades pedem que o Plenário do STF examine os acontecimentos em sessão pública e tome uma decisão, segundo o manifesto, com urgência, transparência e sem corporativismo.
O posicionamento ocorre após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reuniu informações sobre mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e a um número identificado pela investigação como pertencente ao ministro Alexandre de Moraes.
O material passou a integrar a crise que se intensificou entre integrantes do Supremo. Posteriormente, Moraes utilizou o Inquérito das Fake News para apresentar acusações contra Mendonça relacionadas à condução dos casos Banco Master e INSS.
Crise envolve STF e Polícia Federal
Outro episódio que ampliou a tensão foi a decisão de André Mendonça de afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.
Na decisão, Mendonça apontou suspeitas relacionadas à produção e ao compartilhamento de relatórios de inteligência que analisavam a atuação de autoridades, incluindo o próprio ministro e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
O caso também envolve discussões sobre a elaboração e o vazamento de documentos de inteligência da PF e sobre possíveis interferências nas investigações em andamento.
É nesse cenário que as entidades empresariais decidiram tornar público o manifesto. Para o setor produtivo, a estabilidade institucional é considerada um elemento importante para a confiança na economia e para o ambiente de negócios.
“Ninguém está acima da lei”
O manifesto afirma que o Supremo, embora tenha a função constitucional de atuar como guardião da Constituição, também deve estar submetido aos princípios de transparência e fundamentação de suas decisões.
As entidades defendem que os fatos sejam analisados de forma aberta pelo Plenário e que a Corte ofereça respostas capazes de restabelecer a confiança nas instituições.
O documento encerra com uma cobrança direta aos Poderes e às autoridades envolvidas na crise: “Ninguém, ninguém está acima da LEI!”
A mobilização não é inédita entre as entidades empresariais. Em junho deste ano, organizações de diferentes setores também haviam publicado uma carta aberta aos senadores em defesa da PEC 12/2026, relacionada à chamada proposta de “trabalho flexível”.
Desta vez, porém, a manifestação tem como foco a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal, com o setor produtivo cobrando que os acontecimentos sejam analisados publicamente e dentro dos mecanismos previstos pela Constituição.



