EUA propõem tarifa extra de 12,5% sobre produtos do Brasil após suposta investigação sobre trabalho forçado
Relatório do governo americano inclui o Brasil em lista de 60 economias que, segundo Washington, não possuem mecanismos eficazes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado

O governo dos Estados Unidos anunciou uma proposta que pode ampliar as barreiras comerciais para produtos brasileiros. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação e apontou que o Brasil está entre os 60 países que não adotam medidas consideradas suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Como consequência, a administração americana propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos oriundos dessas economias. A medida ainda passará por consulta pública antes de uma decisão definitiva.
Investigação foi aberta em 2026
A análise foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento utilizado pelo governo americano para investigar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país.
Segundo o relatório, a ausência de mecanismos eficazes para bloquear a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado gera distorções na concorrência internacional e afeta empresas e trabalhadores norte-americanos.
O documento cita o Brasil entre os países que, na avaliação do USTR, não possuem uma legislação ou fiscalização suficiente para impedir a circulação desse tipo de mercadoria no mercado interno.
Brasil poderá enfrentar tarifa de 12,5%
A proposta estabelece dois níveis de sobretaxação.
O primeiro prevê uma tarifa adicional de 10% para países que possuem restrições parciais ou compromissos formais relacionados ao combate ao trabalho forçado.
Já o segundo grupo, onde o Brasil foi incluído, poderá ser alvo de uma taxa extra de 12,5% sobre os produtos exportados para os Estados Unidos.
Além do Brasil, a lista reúne economias como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina e Arábia Saudita.
O relatório afirma que o país possui instrumentos voltados ao combate ao trabalho escravo contemporâneo, incluindo mecanismos de monitoramento e fiscalização. Entretanto, a investigação focou especificamente na falta de uma proibição efetiva para a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outros países.
Governo americano aponta impacto na concorrência internacional
De acordo com o USTR, a circulação de produtos fabricados em condições de exploração reduz custos de produção e cria vantagens competitivas consideradas inadequadas no comércio global.
A avaliação do governo americano é de que a ausência de controles mais rígidos contribui para a permanência dessas práticas em diferentes cadeias produtivas.
O documento também menciona exemplos de setores econômicos em outros países que apresentam riscos relacionados ao uso de trabalho forçado, utilizados como referência durante a investigação.
Consulta pública antecede decisão final
Antes da implementação das novas tarifas, o governo dos Estados Unidos abrirá um período de consulta pública para receber manifestações de empresas, entidades e governos interessados.
As contribuições poderão ser enviadas até 6 de julho de 2026. No dia seguinte, o USTR realizará audiências públicas para discutir a proposta e avaliar os impactos das medidas sugeridas.
Após essa etapa, o governo americano decidirá se manterá integralmente as tarifas propostas ou se realizará alterações no texto final.
Relação comercial pode ser afetada
Caso a medida seja confirmada, exportadores brasileiros poderão enfrentar custos adicionais para acessar o mercado americano, um dos principais destinos de produtos brasileiros.
Ainda não foi esclarecido pelas autoridades dos Estados Unidos se a nova tarifa de 12,5% será acumulada com outras sobretaxas comerciais já anunciadas ou em discussão para determinados produtos e países.
A decisão final deverá ser acompanhada por governos, empresas exportadoras e entidades do setor produtivo devido aos possíveis impactos sobre o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
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