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Em defesa de quem? Gargalos do Arco Norte levantam debate sobre logística e meio ambiente

Dados apresentados em fórum da Marinha apontam que a implantação da Ferrogrão poderia reduzir custos de transporte e emissões no escoamento de commodities pelo Norte

Os gargalos de infraestrutura logística do Arco Norte voltaram ao centro do debate durante o fórum “Horizontes da Economia Azul”, promovido pela Marinha do Brasil na sede da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa).

Dados apresentados durante o evento mostram uma contradição na atual matriz de transporte utilizada para o escoamento de commodities pela região. Embora a utilização da estrutura logística do Norte já apresente vantagem econômica em relação à rota pelo Sudeste, a falta de alternativas ferroviárias mantém uma forte dependência do transporte rodoviário.

Atualmente, o escoamento de commodities até Barcarena ainda depende de aproximadamente mil quilômetros percorridos por rodovias. Mesmo com essa limitação, o custo da rota pelo Norte é 10,87% menor em comparação com o transporte das cargas pelo Porto de Santos.

O problema aparece também no aspecto ambiental. A dependência do modal rodoviário faz com que a rota pelo Norte apresente emissões de poluentes 6,75% superiores às registradas na alternativa rodoferroviária utilizada para o escoamento em direção ao Sudeste.

Os números apresentados colocam em evidência uma questão que ultrapassa a discussão sobre competitividade econômica. A ausência de infraestrutura ferroviária adequada na região mantém uma alternativa potencialmente mais barata dependente de um modal com maior emissão de poluentes.

O impacto projetado com a Ferrogrão

Uma das projeções apresentadas durante o debate considera o cenário de funcionamento da Ferrogrão, ferrovia planejada para conectar áreas produtoras de grãos do Centro-Oeste ao sistema portuário do Arco Norte.

Nesse cenário, a diferença de custo em relação ao Porto de Santos seria ampliada. O frete pela região Norte poderia ficar 27,17% mais barato que a alternativa pelo porto paulista.

A mudança também teria impacto sobre as emissões. Segundo os dados apresentados, a pegada de carbono da rota poderia ser reduzida em 44,39% com a utilização da infraestrutura ferroviária projetada.

A comparação mostra que o debate sobre infraestrutura no Arco Norte não envolve apenas a busca por redução de custos e aumento da competitividade. A matriz de transporte também interfere diretamente na quantidade de emissões associadas ao deslocamento das cargas.

A partir desses dados, surge o questionamento sobre os efeitos da manutenção dos atuais gargalos logísticos na região amazônica e sobre quem é beneficiado pela demora na ampliação das alternativas de transporte.

A discussão também coloca em perspectiva a relação entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. A substituição de parte do transporte rodoviário por uma alternativa ferroviária pode reduzir a quantidade de emissões associadas ao transporte de grandes volumes de carga.

Os números apresentados no fórum reforçam, portanto, que os investimentos em infraestrutura logística no Arco Norte podem produzir efeitos que vão além da economia regional. A redução dos custos de transporte e, ao mesmo tempo, das emissões coloca a ampliação da infraestrutura como uma questão também relacionada à eficiência ambiental da cadeia logística brasileira.

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