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Academia Paraense de Letras é alvo de invasões e furtos em prédio histórico de Belém

Ataques recorrentes provocaram danos ao imóvel, interromperam atividades da instituição e atingiram objetos ligados à história da literatura paraense

Um dos espaços históricos ligados à literatura e à cultura do Pará, a Academia Paraense de Letras (APL), tem sido alvo de invasões e furtos recorrentes em Belém. A instituição funciona em um casarão localizado no bairro da Campina, na área central da capital paraense, e afirma que os ataques vêm provocando prejuízos materiais e ameaçando parte do patrimônio mantido no imóvel.

De acordo com a academia, os invasores têm entrado repetidamente no prédio e, durante as ações mais recentes, arrombaram portas e janelas, quebraram vidros e danificaram objetos. Gavetas e armários também foram revirados.

Entre os itens levados estão o sistema de som utilizado pela instituição, televisão, aparelho de ar-condicionado, aparador de grama, microfones e botijões de gás. Também foram furtados copos, bandejas, louças, talheres e outros utensílios utilizados nas atividades da academia.

Os furtos atingiram inclusive objetos relacionados às tradições mantidas pela instituição. Na cristaleira onde eram guardadas as louças utilizadas no tradicional chá da tarde dos acadêmicos, restaram poucas peças. A atividade acabou sendo interrompida diante da perda dos utensílios.

Fundada em 1900, a Academia Paraense de Letras funciona em um imóvel que reúne documentos, obras de arte e objetos relacionados à história da literatura paraense. O espaço também abriga retratos de antigos integrantes da instituição, entre eles o do Barão de Guajará, primeira personalidade a presidir a academia.

GONGO CENTENÁRIO FOI DANIFICADO

Uma das invasões mais recentes atingiu uma área considerada simbólica pelos integrantes da APL.

No local está um gongo utilizado há mais de cem anos pelos presidentes da Academia Paraense de Letras no início e no encerramento das sessões da instituição.

Durante a invasão ocorrida no último fim de semana, o objeto foi danificado pelos invasores, mas não chegou a ser levado. Posteriormente, o gongo passou por reparos.

O episódio reforçou a preocupação da academia com a preservação dos objetos que fazem parte da história da instituição. Além dos danos físicos ao prédio, os ataques passaram a afetar diretamente a realização de atividades e eventos.

Atualmente, o imóvel também abriga outras seis academias, ampliando a quantidade de instituições que utilizam o espaço.

FURTOS AFETAM PROGRAMAÇÃO

A sequência de invasões já provocou mudanças na programação da Academia Paraense de Letras.

Uma sessão que estava prevista para o dia 18 de setembro, em homenagem ao escritor português Fernando Pessoa, precisou ser suspensa após equipamentos utilizados nos eventos serem furtados.

A ausência do sistema de som e dos microfones dificulta a realização de cerimônias e sessões que fazem parte da programação da instituição.

Para a Academia Paraense de Letras, o problema deixou de ser apenas uma questão de prejuízo material e passou a representar também uma ameaça à continuidade das atividades desenvolvidas no prédio.

INSTITUIÇÃO COBRA PROVIDÊNCIAS

A Academia Paraense de Letras é mantida por meio de contribuições dos próprios acadêmicos. Segundo a instituição, os recursos disponíveis não são suficientes para arcar com todas as despesas necessárias à proteção do imóvel histórico e dos objetos mantidos no local.

Os casos de invasão e furto já foram comunicados às autoridades de segurança. A academia cobra providências para identificar os responsáveis pelos ataques e impedir que novas ocorrências aconteçam.

Em nota, a Polícia Militar do Pará informou que, por meio do 2º Batalhão, realizou uma reunião com representantes da instituição para colher informações e orientar sobre medidas de segurança.

Ainda segundo a corporação, a região é atendida pelo 2º BPM, com apoio do motopatrulhamento e de outras unidades da Polícia Militar, conforme o planejamento operacional.

A repetição dos ataques coloca em evidência o desafio de preservar um imóvel histórico que, além de sediar atividades culturais e literárias, reúne documentos, obras e objetos relacionados à memória da produção intelectual paraense. Para a Academia Paraense de Letras, a adoção de medidas de segurança é necessária não apenas para evitar novos prejuízos materiais, mas também para proteger esse patrimônio histórico.

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