Com vantagem consolidada, candidata da direita Keiko Fujimori deve vencer eleição no Peru
Com mais de 99,8% das urnas apuradas, candidata do Fuerza Popular mantém liderança matemática sobre Roberto Sánchez, que rejeita o resultado e convoca protestos.

A disputa presidencial no Peru caminha para um desfecho favorável à candidata Keiko Fujimori. Com 99,859% das urnas apuradas até a madrugada desta quarta-feira (24), a representante do partido Fuerza Popular alcançou uma vantagem que não pode mais ser revertida matematicamente pelo adversário Roberto Sánchez.
Segundo os dados oficiais da apuração, Fujimori somava 9.206.241 votos, o equivalente a 50,118% do total validado, enquanto Sánchez aparecia com 9.162.855 votos, correspondendo a 49,822%. Restam cerca de 40 mil votos para serem contabilizados, número insuficiente para alterar o resultado da eleição.
Caso o cenário seja confirmado pela autoridade eleitoral peruana, Keiko Fujimori retornará ao comando do país após uma das disputas mais equilibradas da história recente do Peru.
Roberto Sánchez rejeita resultado e fala em irregularidades
Mesmo diante da diferença consolidada na contagem oficial, Roberto Sánchez declarou que não reconhece o resultado da eleição presidencial.
Em coletiva de imprensa realizada na terça-feira (23), o candidato do partido Juntos por el Perú afirmou que houve irregularidades durante o processo de apuração e direcionou críticas à Oficina Nacional de Procesos Electorales (ONPE), órgão responsável pela organização do pleito.
Sánchez também convocou apoiadores para manifestações previstas para o próximo sábado (27) e afirmou que continuará contestando o resultado final da eleição.
As alegações concentram-se principalmente na contabilização dos votos de cidadãos peruanos residentes no exterior, que contribuíram para a virada de Keiko Fujimori na reta final da apuração.
Votos do exterior foram decisivos na disputa
Durante parte da contagem, Roberto Sánchez chegou a liderar a eleição. No entanto, a entrada dos votos registrados fora do Peru alterou o cenário e colocou Fujimori à frente.
Nos resultados do eleitorado residente no exterior, a candidata do Fuerza Popular obteve mais de 63% dos votos válidos. Já dentro do território peruano, Sánchez manteve uma pequena vantagem.
Na tentativa de reverter o quadro, o candidato de esquerda protocolou um recurso solicitando a anulação dos votos de peruanos que vivem em outros países. A argumentação apresentada aponta supostas falhas administrativas na condução da votação internacional.
Segundo Sánchez, a exclusão desses votos lhe garantiria uma vantagem aproximada de 25 mil votos sobre a adversária.
Especialistas descartam possibilidade de anulação
Juristas especializados em legislação eleitoral peruana afirmaram à imprensa local que o pedido apresentado pela campanha de Sánchez não possui base legal suficiente para alterar o resultado do pleito.
A avaliação de especialistas é de que os recursos apresentados têm poucas chances de prosperar e não devem impedir a proclamação oficial do vencedor pelas autoridades eleitorais.
Enquanto isso, a campanha de Keiko Fujimori adotou cautela e informou que aguardará a conclusão total da contagem antes de declarar oficialmente a vitória.
Congresso terá maioria ligada a Fujimori
Além da vantagem na corrida presidencial, o partido Fuerza Popular também conquistou a maior representação no novo Congresso peruano.
A legenda de Keiko Fujimori garantiu 41 cadeiras na Câmara dos Deputados e 22 assentos no Senado. Já o partido Juntos por el Perú, de Roberto Sánchez, ficou com 32 vagas na Câmara e 14 no Senado.
A composição parlamentar amplia a influência política de Fujimori caso sua vitória seja confirmada oficialmente pelos órgãos eleitorais do país.
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