BELÉMNOTÍCIANOTÍCIASPará

Belém terá o maior jardim de chuva da Amazônia em área histórica da cidade

Projeto será implantado na avenida Marechal Hermes e faz parte de uma estratégia de infraestrutura verde para reduzir alagamentos, ampliar áreas permeáveis e adaptar a capital às mudanças climáticas.

Em uma cidade marcada por canais, rios e pelo desafio constante dos alagamentos, Belém aposta em soluções baseadas na natureza para enfrentar problemas históricos de drenagem urbana. A Prefeitura anunciou a implantação do maior jardim de chuva da Amazônia, que será construído ao longo da avenida Marechal Hermes, em uma das áreas mais simbólicas da capital paraense.

O projeto ocupará uma faixa de aproximadamente 576 metros quadrados e funcionará como uma espécie de infraestrutura natural capaz de captar, filtrar e infiltrar parte da água da chuva diretamente no solo, reduzindo a sobrecarga do sistema convencional de drenagem.

Embora ainda pouco conhecidos por grande parte da população, os jardins de chuva vêm sendo adotados em diversas cidades do mundo como alternativa ao modelo tradicional baseado apenas em galerias subterrâneas e canais de concreto. A lógica é simples: permitir que a cidade volte a absorver parte da água que antes era rapidamente escoada por superfícies impermeáveis como asfalto e calçadas.

A iniciativa faz parte do programa Belém Mais Verde, lançado pela prefeitura como uma política de adaptação climática. O plano prevê a implantação de outras soluções ambientais, como microflorestas urbanas, corredores verdes, sistemas sustentáveis de drenagem e ampliação da arborização em diferentes bairros da cidade.

Do ponto de vista urbanístico, o projeto representa uma mudança de paradigma na forma de lidar com as águas pluviais. Durante décadas, o crescimento urbano de Belém avançou com a substituição de áreas vegetadas por concreto e asfalto, reduzindo a capacidade natural de infiltração e aumentando a frequência de pontos de alagamento.

O conceito adotado pela prefeitura segue princípios da chamada “cidade-esponja”, modelo que busca tornar os centros urbanos mais capazes de absorver, armazenar e reutilizar a água da chuva. A estratégia já é utilizada em países como China, Dinamarca e Nova Zelândia como forma de aumentar a resiliência urbana diante das mudanças climáticas.

Além da função hidráulica, os jardins de chuva também desempenham papel paisagístico e ambiental. As áreas recebem espécies vegetais adaptadas tanto a períodos de seca quanto a momentos de inundação temporária, contribuindo para a biodiversidade urbana e para a redução das chamadas ilhas de calor.

A avenida Marechal Hermes não será o único ponto beneficiado. Segundo o planejamento apresentado pela gestão municipal, novas estruturas semelhantes deverão ser implantadas em áreas como o entorno do Museu Paraense Emílio Goeldi, o Horto Municipal, a avenida Perimetral, a rua dos Mundurucus, a travessa Rui Barbosa e o bairro da Terra Firme.

O novo jardim de chuva também integra um conjunto mais amplo de ações anunciadas durante o Junho Verde, que inclui plantio de árvores, criação de corredores ecológicos, implantação de sistemas agroflorestais e projetos de educação ambiental.

Para urbanistas e especialistas em drenagem sustentável, medidas desse tipo não eliminam sozinhas os problemas históricos de enchentes da cidade, mas podem contribuir significativamente para reduzir o volume de água que chega aos canais e galerias durante eventos de chuva intensa, especialmente quando associadas a investimentos em saneamento, manutenção da drenagem e ampliação da cobertura vegetal.

Com a iniciativa, Belém passa a incorporar uma tendência cada vez mais presente no planejamento urbano contemporâneo: utilizar a própria natureza como aliada na construção de cidades mais resilientes, arborizadas e preparadas para os desafios climáticos do futuro.

Etiquetas

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar