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Antigo Palacete Miranda Corrêa será restaurado para receber concessionária da BYD em Belém

Imóvel histórico na Avenida Magalhães Barata, em São Brás, será recuperado e integrado a uma nova estrutura comercial que combinará elementos históricos e arquitetura contemporânea

Um dos imóveis históricos mais conhecidos de Belém deverá ganhar uma nova função comercial. O Palacete Miranda Corrêa, localizado na Avenida Magalhães Barata, em frente ao Parque da Residência, no bairro de São Brás, passará por um processo de restauração e reforma para abrigar uma nova concessionária da fabricante chinesa BYD, especializada em veículos elétricos e híbridos.

O projeto prevê a recuperação do casarão histórico, além de um acréscimo de área destinado à estrutura da concessionária. A proposta busca preservar características arquitetônicas do imóvel e, ao mesmo tempo, incorporar uma construção contemporânea, com utilização de elementos como vidro e aço.

A obra está sob responsabilidade técnica da Dago Construções e do engenheiro João Carlos Oliveira. A intervenção pretende estabelecer uma relação entre a arquitetura histórica do palacete e a proposta tecnológica associada à nova concessionária.

Construído no início do século 20, o imóvel surgiu durante o período final do Ciclo da Borracha na Amazônia. Originalmente, a edificação era formada por duas residências geminadas e esteve ligada aos irmãos engenheiros Antonino e Maximino Miranda Corrêa, naturais de Santarém e que tiveram participação em atividades relacionadas à infraestrutura e à industrialização da região.

Antonino Miranda Corrêa esteve ligado a empreendimentos em Manaus, entre eles a Cervejaria Miranda Corrêa & Cia. e o jornal O Imparcial. Maximino Miranda Corrêa, por sua vez, ocupou o cargo de diretor do Serviço de Águas do Governo do Estado do Pará durante vários anos.

Ao longo do século 20, o imóvel passou por diferentes usos. Na década de 1950, funcionou como escola ginasial e, posteriormente, entre os anos 1970 e 2000, recebeu o Colégio Pequeno Príncipe. O espaço acabou incorporado à memória de diferentes gerações de moradores de Belém que estudaram no local.

Depois de deixar de ser utilizado, o palacete permaneceu durante anos em situação de abandono e deterioração. A nova intervenção deverá recuperar a edificação e reinseri-la na dinâmica urbana de São Brás.

A utilização de imóveis históricos para novas atividades é uma das estratégias utilizadas para evitar que edificações antigas percam sua função e avancem para processos de deterioração. Nesse modelo, conhecido como reutilização adaptativa, estruturas existentes podem receber novos usos sem necessariamente perder suas características arquitetônicas de maior relevância.

No caso do Palacete Miranda Corrêa, a proposta combina a preservação do edifício histórico com uma nova estrutura comercial. A intervenção também insere o imóvel em uma área de grande circulação da cidade, próxima a equipamentos como o Parque da Residência e outros pontos importantes de São Brás.

A expectativa é que a recuperação permita que o antigo palacete volte a ter uma presença ativa na paisagem urbana de Belém, agora associado a uma atividade comercial contemporânea e ao mercado de veículos elétricos e híbridos.

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