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Açaí da Bahia chega ao Pará e surpreende pela qualidade; produtor paraense avalia futuro do mercado

Fruto produzido em Ilhéus chega em caminhão refrigerado e impressiona empresário paraense pelo rendimento, sabor e conservação

Pela primeira vez, um carregamento de açaí produzido na Bahia chegou ao Pará para ser avaliado por produtores locais. A experiência foi realizada pelo empresário paraense Nazareno Alves, conhecido como Pikeno, fundador do Point do Açaí e presidente da Associação de Produtores de Açaí da Amazônia (Amaçaí).

O fruto veio da região de Ilhéus, no sul da Bahia, e chegou ao estado transportado em caminhão frigorífico com temperatura controlada de aproximadamente 5°C. Segundo Pikeno, o trajeto durou cerca de dois dias e meio e o produto desembarcou em excelentes condições de conservação.

Ao todo, o carregamento trouxe 278 caixas com cerca de 28 quilos cada.

“Eu queria fazer essa experiência há bastante tempo. Este ano foi a primeira vez que o açaí da Bahia chegou ao Pará. Comprei o fruto na Feira do Açaí do Ver-o-Peso e levei para bater na unidade de processamento do Point. Fiquei impressionado com o rendimento da polpa, a textura e o sabor. O resultado foi muito positivo”, afirmou.

Apesar da avaliação favorável, Pikeno ressalta que o açaí paraense continua sendo referência nacional, especialmente o produzido nas ilhas próximas a Belém, onde a proximidade entre a colheita e o consumo garante uma qualidade diferenciada.

Segundo ele, porém, a experiência mostrou que uma logística eficiente pode permitir que frutos produzidos em outras regiões também cheguem ao consumidor mantendo um alto padrão.

Comparação com o açaí do Amapá

Durante a avaliação, o empresário comparou o fruto baiano ao açaí produzido nas ilhas próximas a Macapá, no Amapá, tradicional fornecedor do mercado paraense durante os períodos de entressafra.

“O açaí colhido nas ilhas próximas a Macapá é maravilhoso em sabor, cor e rendimento. O problema está na logística até chegar a Belém. Muitas vezes o fruto passa até três dias em transporte”, explicou.

Enquanto boa parte do açaí amapaense é transportada por embarcações utilizando gelo para conservação, o produto baiano chegou em caminhão refrigerado, mantendo temperatura constante durante toda a viagem.

“Esse tipo de transporte refrigerado é muito bom para o batedor porque preserva melhor a qualidade do fruto. Além disso, as caixas de 28 quilos facilitam bastante o manuseio”, destacou.

Mercado cada vez mais nacional

Para o presidente da Amaçaí, a chegada de açaí produzido fora da Amazônia faz parte de uma transformação natural do mercado.

“Não tem jeito, é mercado. Assim como o Pará recebe caminhões de tomate, cebola, alho, limão e diversos outros produtos de várias regiões do Brasil, o açaí também vai circular cada vez mais. Se houver qualidade e preço competitivo, ele encontrará consumidores”, afirmou.

A expansão dos plantios em estados como Bahia, Espírito Santo e outras regiões acompanha o crescimento da demanda nacional e internacional pelo fruto amazônico, que vem conquistando novos mercados ano após ano.

Alerta aos produtores paraenses

Apesar de enxergar a concorrência com naturalidade, Pikeno faz um alerta aos produtores do Pará.

Segundo ele, é necessário ampliar investimentos em áreas de cultivo, sistemas irrigados e tecnologias de produção para garantir que o estado mantenha sua liderança no setor.

“Eu incentivo que mais pessoas plantem açaí. Outros estados já perceberam o potencial econômico desse mercado. Se o Pará não ampliar sua produção, pode perder espaço no futuro”, alertou.

O empresário lembra que a demanda continua crescendo em ritmo acelerado, impulsionada tanto pelo consumo interno quanto pela exportação.

“A procura está muito aquecida. Novas fábricas estão sendo instaladas, as indústrias estão investindo em tecnologia e novos mercados surgem a cada ano. Precisamos produzir mais para acompanhar essa expansão”, afirmou.

Amaçaí deve receber novo investimento

Nazareno Alves também informou que a Amaçaí deverá receber em breve uma emenda parlamentar destinada pelo deputado federal Priante. O recurso será utilizado para fortalecer a associação e apoiar projetos voltados ao desenvolvimento da cadeia produtiva do açaí.

Segundo ele, produtores de todas as regiões interessados em participar da entidade podem procurar a secretaria da associação.

Para Pikeno, o episódio mostra que o mercado do açaí entrou definitivamente em uma nova fase: o fruto que nasceu na Amazônia continua tendo no Pará sua principal referência de qualidade, mas passa a ser cada vez mais cultivado e comercializado em diferentes regiões do país, impulsionado por uma demanda que não para de crescer.

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