EDUCAÇÃO

Academia do Peixe Frito é tema de workshop e aula pública em Belém

Programação gratuita nos dias 15 e 16 de agosto revisita movimento literário ligado ao modernismo amazônico e propõe atividades de formação e caminhada pelo centro histórico da capital

Belém recebe, nos dias 15 e 16 de agosto, uma programação gratuita dedicada à Academia do Peixe Frito, movimento literário que reuniu escritores, jornalistas, músicos e intelectuais no início do século XX e ajudou a consolidar uma produção literária crítica, urbana e ligada às vivências amazônicas. As atividades incluem workshop, exibição de documentário e uma aula pública com percurso pelo centro histórico da capital.

Promovida pela Casa da Cultura de Canaã dos Carajás, em parceria com o Instituto Cultural Vale, a programação integra as comemorações do Dia do Patrimônio Cultural, celebrado em 17 de agosto. As ações fazem parte do projeto Academia do Peixe Frito – Poéticas de um Modernismo Amazônico, desenvolvido pelo programa Palavra Viva, voltado à formação de leitores, incentivo à leitura e à escrita e valorização da literatura como instrumento de expressão e memória.

No sábado (15), o escritor e professor Felipe Cruz conduz o Workshop de Gêneros Literários – Academia do Peixe Frito: Poéticas de um Modernismo Amazônico, das 8h às 10h30, no Fórum Landi, na Cidade Velha. A atividade abordará o contexto histórico do movimento, seus principais autores e sua contribuição para a literatura amazônica, além de incluir leitura de textos e exercícios de escrita criativa. Na abertura, também será exibido o documentário Geração Peixe Frito (2019), dirigido pelos professores Paulo Nunes, da Universidade da Amazônia (Unama), e Vânia Torres, da Universidade Federal do Pará (UFPA), com participação on-line de Paulo Nunes.

Segundo Felipe Cruz, a proposta é ampliar o olhar dos participantes sobre a literatura produzida na região. “Espero que os participantes levem consigo novos olhares para a nossa literatura e outras compreensões sobre o fazer o literário, encarando a atividade poética como algo acessível a todos”, afirmou. Para o professor, conhecer diferentes formas de escrita produzidas na Amazônia também contribui para compreender melhor o território e suas experiências.

Já no domingo (16), o historiador e comunicador Michel Pinho conduz uma aula pública pelo centro histórico de Belém, a partir das 8h. O percurso terá início no Palácio Lauro Sodré, atual Museu Histórico do Estado do Pará, e seguirá até o Complexo dos Mercedários, passando por locais relacionados às transformações urbanas e às experiências que influenciaram integrantes da Academia do Peixe Frito. O trajeto inclui referências à casa de Bruno de Menezes, ao antigo Largo da Constituição, ao Palácio do Governo, às mudanças promovidas pela antiga Intendência de Belém e ao Ver-o-Peso.

Para Michel Pinho, discutir a Academia do Peixe Frito também significa compreender aspectos da formação da identidade paraense. “Não é só a percepção que a literatura assume nesse período, mas também os temas que passam a fazer parte dela, como a religiosidade, a latinidade e as transformações sociais e populares, muito bem retratadas pelos literatos da época”, afirmou.

A diretora da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás, Gabriela Sobral, destacou que a realização das atividades na capital amplia o alcance das ações desenvolvidas pela instituição. “Ao realizar o workshop com o escritor e professor Felipe Cruz e a aula pública conduzida pelo professor Michel Pinho sobre a Academia do Peixe Frito, a Casa da Cultura reafirma seu compromisso de aproximar a comunidade de referências fundamentais da cultura amazônica”, declarou. A iniciativa busca aproximar artistas, historiadores, pesquisadores e público em geral do patrimônio cultural paraense.

O workshop terá inscrições gratuitas por formulário e será realizado no Fórum Landi, localizado na Rua Siqueira Mendes, 60, Cidade Velha. A aula pública tem entrada livre e gratuita, com concentração na saída do Museu Histórico do Estado do Pará. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (94) 99220-3451.

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