Um ano depois, ninguém foi identificado: polícia levantou hipótese de intolerância religiosa no ataque à imagem de Nazaré na Vila do Apeú, em Castanhal
Estátua de Nossa Senhora de Nazaré foi destruída a golpes de pedaço de pau em setembro de 2025; um ano depois, autores seguem sem identificação oficial
Em 20 de setembro de 2025, três homens desceram de um caminhão branco na Vila do Apeú, em Castanhal, e foram até o pedestal localizado na entrada da Avenida Nazarena. Ali, derrubaram a golpes de pedaço de pau uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré com mais de dois metros de altura, instalada no local desde 2023. A estátua ficava justamente na entrada do Santuário de Nazaré da Vila do Apeú, um dos pontos de devoção mais conhecidos da comunidade.
O ataque aconteceu por volta das 8h de um sábado, em plena luz do dia e poucas semanas antes da Romaria de Castanhal/Apeú e do Círio de Belém daquele ano. Depois de destruir a imagem, os homens retornaram ao caminhão e fugiram em direção ao kartódromo local. A ação provocou revolta entre moradores e devotos da região e mobilizou rapidamente as autoridades.
O bispo de Castanhal, dom Carlos Verzeletti, classificou o episódio como intolerância religiosa e cobrou a apuração dos responsáveis. A Polícia Civil e a Polícia Militar iniciaram diligências, ouviram testemunhas e chegaram a localizar um caminhão com características semelhantes ao utilizado na ação. O veículo, entretanto, acabou sendo liberado.
Durante as investigações, testemunhas também apontaram a residência de um morador da Vila do Apeú que poderia ter alguma relação com o episódio. A hipótese de intolerância religiosa foi levantada no decorrer da apuração, mas não houve, até o momento, conclusão pública de que essa tenha sido definitivamente a motivação do ataque.
Enquanto a investigação avançava, a comunidade tratou de recuperar o símbolo religioso. A imagem foi restaurada e voltou ao mesmo local em 7 de outubro de 2025, a tempo das festividades de Nossa Senhora de Nazaré daquele ano.
Agora, um ano depois, permanece uma pergunta sem resposta: quem destruiu a imagem?
Até o momento, não houve identificação oficial dos autores, prisão ou indiciamento divulgado publicamente relacionado ao ataque. Também não foram apresentadas novas informações públicas sobre a conclusão das investigações.
O episódio ganha ainda mais significado por ter ocorrido em uma região marcada pela forte devoção a Nossa Senhora de Nazaré. A imagem destruída não estava escondida ou em uma propriedade particular: ocupava um espaço público, na entrada de uma avenida que leva o nome da santa e diante de um santuário dedicado à devoção.
O caso também chama atenção pela proximidade com um dos maiores eventos religiosos do país. O Círio de Nazaré, realizado anualmente em Belém, reúne milhões de pessoas e possui reconhecimento internacional como patrimônio cultural. Na Vila do Apeú, porém, um símbolo dessa mesma devoção foi destruído e, um ano depois, os responsáveis continuam sem identificação oficial.
A imagem voltou ao seu lugar. A devoção também. Mas permanece pendente a resposta sobre quem derrubou Nossa Senhora de Nazaré na Vila do Apeú — e se, como chegou a ser levantado durante a investigação, o ataque teve motivação de intolerância religiosa.



