Coluna

A campanha das bolsas e a irresponsabilidade fiscal

Por Eduardo Cunha

Já vi inúmeras campanhas serem marcadas pelas mais diversas características, mas esta,  certamente, tem sido sobremaneira peculiar, muito por conta da Covid e das mudanças de comportamento que tivemos que observar para sobreviver à pandemia, naturalmente. 

Além do período mais curto, do fim das coligações nas eleições para vereador e de todas as medidas sanitárias adotadas, não pude deixar de notar que muitos dos candidatos a prefeito têm oferecido programas de renda auxiliar, bolsas, em seus programas de governo.

Pelo menos três dos principais candidatos têm propostas neste sentido. O Renda Belém, de Thiago Araújo (Cidadania); o Renda Mínima, de Edmilson Rodrigues (PSOL); e o Mães Guerreiras, de Priante (MDB).

Thiago Araújo promete conceder R$ 300,00 às famílias em vulnerabilidade social, cadastradas no Bolsa Família. Em sua plataforma de governo, ele diz que será temporário e condicionado nas ações de inserção ao mercado de trabalho e empreendedorismo. Somente em Belém, até agosto de 2020, 118.199 famílias estavam aptas a receber o Bolsa Família. 

Já Edmilson Rodrigues começou sua campanha nas rádios e TV focando no “Bora Belém”, programa para concessão de “Renda Mínima” para famílias em situação de pobreza. O candidato, porém, não diz quanto será o valor que a Prefeitura irá disponibilizar. Em sua plataforma de governo, diferente da propaganda política, é dito que o programa será complementar ao Bolsa Família.

Priante é o mais generoso de todos. No seu “Mães Guerreiras”, promete conceder R$ 400,00 de auxílio para mulheres carentes chefes de família. Além disso, tal como na Venezuela de Maduro, Priante promete criar mercados estatais chamados de “Mercados Ver a Família”, com subsídios na cesta básica de 30%. 

Um detalhe importante é que o “Mães Guerreiras” não está no programa de governo de Priante disponibilizado no site do TSE. Seria para não ficar para trás de Edmilson e Thiago?

Irresponsabilidade fiscal – Não vou aqui entrar no mérito sobre a natureza desses auxílios para qualificá-los ou não de compra de votos. Deixo essa reflexão ao eleitor. Queria apenas chamar a atenção para o vírus da  irresponsabilidade fiscal que parece ter a todos acometido.

Nos programas de TV ninguém parece ligar para questões de orçamento, que ficam em segundo plano. Ninguém fala em atrair e facilitar a instalação de grandes empreendimentos, de estímulo ao empreendedorismo, que gera emprego e renda e tira pessoas da pobreza e da dependência estatal.

De onde irão tirar tanto recurso para financiar tantas bolsas? De repente, o município parece, estranhamente, ter virado próspero e sem dívidas nenhuma a pagar. 

Belém, Belém, será que tá tudo bem?

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