Quando o assunto é casamento, uma pequena cidade do sudeste do Pará vem chamando atenção em todo o país. Com apenas 5.847 habitantes, Sapucaia alcançou a maior taxa de matrimônios do Brasil, ganhando até comparações com Las Vegas, cidade americana famosa por seus casamentos rápidos e pela cultura do “sim”.
De acordo com as Estatísticas do Registro Civil 2024, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município paraense registrou impressionantes 111 casamentos para cada mil habitantes. O índice é quase 18 vezes superior à média nacional, que ficou em 5,6 casamentos por mil moradores.
O levantamento considera não apenas o número absoluto de uniões registradas, mas também a proporção em relação à população. É justamente esse critério que permitiu a Sapucaia assumir o topo do ranking nacional.
Embora cidades maiores concentrem naturalmente mais casamentos em números absolutos, municípios pequenos podem se destacar quando a análise leva em conta a quantidade de registros em relação ao número de habitantes. Especialistas apontam que fatores como mutirões de casamento comunitário e concentrações de registros civis em determinados períodos podem influenciar esse resultado.
Pará aparece entre os destaques
O desempenho de Sapucaia reforça uma tendência observada em alguns municípios paraenses, que frequentemente aparecem entre os maiores índices proporcionais de casamento do país. Outra cidade do estado que costuma se destacar nesse tipo de levantamento é Abel Figueiredo.
Enquanto Sapucaia lidera o ranking nacional, o estado do Piauí apresentou a menor taxa de nupcialidade do país, com apenas 3,2 casamentos por mil habitantes.
Brasileiros estão casando mais tarde
Os dados do IBGE também revelam mudanças importantes no perfil dos casais brasileiros. Atualmente, 31,3% dos homens e 25,3% das mulheres se casam com 40 anos ou mais.
Há vinte anos, essa faixa etária representava menos de 10% dos casamentos realizados no país. Hoje, a idade média do primeiro casamento gira entre 31 e 33 anos para os homens e entre 28 e 30 anos para as mulheres.
Segundo especialistas, o casamento deixou de ser encarado como o primeiro passo da vida adulta e passou a ocorrer em uma fase de maior estabilidade profissional, financeira e emocional.
Uniões homoafetivas continuam crescendo
O levantamento também mostra o avanço dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo desde a regulamentação nacional promovida pelo Conselho Nacional de Justiça em 2013.
Esse tipo de união vem registrando crescimento contínuo no país, com destaque para os casamentos entre mulheres, que representam a maioria dos registros homoafetivos no Brasil.
Seja por tradição, mutirões comunitários ou características locais, o fato é que Sapucaia conquistou um título curioso e simbólico: o de cidade onde proporcionalmente mais pessoas dizem “sim” no Brasil. Para um município pequeno do interior do Pará, o dado coloca a cidade em evidência nacional e mostra que, quando o assunto é casamento, o amor parece estar especialmente em alta por lá.



