A Avenida Marechal Hermes, em frente à Praça Waldemar Henrique, está passando por uma transformação com a implantação de um jardim de chuva de mais de 500 metros de extensão. Considerado pela Prefeitura de Belém o maior jardim de chuva em construção na capital, o espaço entrou na etapa de paisagismo, com o plantio de espécies ornamentais e arbóreas.
A intervenção faz parte do programa Belém Mais Verde, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), que reúne ações de arborização e ampliação das áreas verdes da cidade. O programa tem como uma de suas principais metas o plantio de 1 milhão de mudas em Belém.
Os trabalhos no canteiro central da Marechal Hermes começaram no início de agosto. A área, que anteriormente era ocupada por pavimentação impermeável, passou por escavação, regularização do solo, implantação do sistema de drenagem, instalação de meio-fio e lançamento de terra vegetal.
A proposta é fazer com que o espaço passe a desempenhar também uma função no sistema de drenagem urbana. A estrutura contará com poços de retenção e infiltração, que permitirão armazenar parte da água das chuvas e favorecer sua absorção pelo solo, reduzindo o volume de água que escoa diretamente pela superfície.
A secretária municipal de Meio Ambiente, Juliana Nobre, afirma que o projeto combina as funções de drenagem e qualificação ambiental da área.
“O Jardim de Chuva da Marechal Hermes é o maior jardim de chuva que está sendo construído em Belém. Ele tem mais de 500 metros e também vai contar com poços de retenção ou poços de infiltração, que vão contribuir para tornar aquela área mais permeável e melhorar a infiltração da água da chuva.”
Além da função relacionada às chuvas, a intervenção amplia a presença de vegetação em uma área anteriormente impermeabilizada. De acordo com a secretária, a escolha das espécies também considera a criação de um espaço com maior diversidade vegetal.
“Utilizamos espécies paisagísticas e arbóreas, aumentando a área verde daquele local e trazendo uma biodiversidade melhor para aquela região. Além de contribuir para o controle dos alagamentos e melhorar a permeabilidade do solo, o jardim vai ajudar na melhoria do microclima, trazendo mais conforto térmico e embelezando a cidade.”
A iniciativa está inserida em uma estratégia de utilização de soluções baseadas na natureza para enfrentar problemas urbanos relacionados às chuvas e às mudanças climáticas. Em vez de depender exclusivamente de estruturas convencionais de drenagem, esse tipo de intervenção procura recuperar a capacidade de determinadas áreas de absorver, armazenar e liberar a água de maneira gradual.
O agrônomo e paisagista da Semma Junior Melo explica que a retirada do pavimento foi uma das etapas fundamentais para permitir a transformação do canteiro.
“Nós estamos aqui no canteiro central da Marechal Hermes, onde quebramos esse pavimento. Era um lugar que tinha uma área impermeável e nós permeabilizamos, transformando esse espaço em uma área com capacidade de reter e absorver a água da chuva.”
Antes do plantio das espécies, foram implantadas as estruturas necessárias para o funcionamento do jardim. Segundo Melo, o sistema foi preparado com diferentes camadas para permitir o armazenamento da água sem comprometer o funcionamento do espaço.
“Fizemos o sistema de drenagem antes de iniciar o plantio, com todas as camadas necessárias para que a gente possa acumular o máximo possível de água sem causar alagamento.”
A etapa de paisagismo começou no dia 25 de agosto e tem previsão de conclusão até 4 de setembro. As mudas utilizadas são produzidas na Granja Modelo e incluem espécies ornamentais e arbóreas.
Entre as plantas escolhidas estão petúnias selvagens, também conhecidas como ruellias, inhame, tajá, helicônia-papagaio, cana-da-índia e grama-amendoim. A composição busca combinar diferentes formas, folhagens e flores, criando uma área verde diversificada no canteiro central.
Os jardins de chuva integram um conjunto de soluções conhecidas como Soluções Baseadas na Natureza e estão relacionados ao conceito de cidade-esponja. A ideia é ampliar a capacidade de determinados espaços urbanos de absorver e armazenar a água da chuva, diminuindo o escoamento superficial.
Além de contribuir para a drenagem, essas estruturas podem desempenhar outras funções ambientais, como ampliar áreas verdes, favorecer a biodiversidade, melhorar o conforto térmico e contribuir para a infiltração da água no solo.
A Prefeitura também vem implantando jardins de chuva em outros pontos de Belém. Na Rua dos Mundurucus, o plantio já foi concluído. Também existem intervenções nas áreas dos canais do Una e do Jacaré, realizadas por meio do Urbanismo Tático.
No Horto Municipal de Belém, a implantação começou em junho e foi concluída em julho. Outros pontos previstos incluem a Travessa Rui Barbosa, na esquina com a Avenida Gentil Bittencourt, próximo ao Centur, a Rua Quintino Bocaiuva, nas proximidades da Semma, e uma área na Perimetral, no bairro da Terra Firme. Novos locais ainda podem ser incorporados ao projeto.
A transformação da Marechal Hermes também já chama a atenção de pessoas que circulam pela região. O empresário Eric Barros, de 24 anos, que mora em Marabá e trabalha com tapeçaria automotiva, avaliou positivamente a mudança.
“É uma iniciativa muito boa porque muda completamente o aspecto do lugar. Além de deixar a avenida mais bonita, é uma ação que traz mais verde para a cidade e pode ajudar no período de chuvas.”
O gesseiro Daniel Monteiro, de 36 anos, morador do Tapanã, também destacou a transformação do espaço que anteriormente era pavimentado.
“A gente precisa de mais espaços verdes em Belém. É muito bom ver uma área que era pavimentada sendo transformada em um jardim. Quando as plantas crescerem, acredito que vai ficar ainda mais bonito e agradável para quem passa por aqui.”



