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Paraense quer levar sabores da Amazônia às mesas de todo o Brasil

Joanna Martins aposta na gastronomia sustentável para conectar a floresta ao consumidor, com inovação, educação e fortalecimento dos produtores locais. O retorno do Festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense marca um novo capítulo dessa missão.

Levar os ingredientes da Amazônia para a mesa dos brasileiros é mais do que um projeto: é uma missão de vida para a paraense Joanna Martins. Filha do chef Paulo Martins, pioneiro na difusão da culinária paraense, ela assumiu o compromisso de valorizar os sabores da floresta e transformá-los em produtos acessíveis para todo o país.

À frente da foodtech Manioca, Joanna aposta na inovação para ampliar o alcance dos insumos regionais. A empresa desenvolve produtos a partir de ingredientes ancestrais, como o shoyu amazônico, feito de tucupi preto, e garante renda para pequenos produtores, ajudando a manter a floresta em pé. “Nosso sonho é que o produto amazônico esteja na casa de muitos brasileiros, assim como o azeite ou o molho de tomate”, afirma.

Além da atuação empresarial, Joanna lidera o Instituto Paulo Martins, que tem foco em educação e promoção da cultura alimentar amazônica. Em parceria com chefs e boieiras, o instituto promove ações de formação e pesquisa para fortalecer a gastronomia da região.

Um dos projetos mais emblemáticos do instituto é a retomada do Festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense, que chega à sua 15ª edição após a pausa durante a pandemia. O evento, considerado o maior do gênero no Norte, volta às vésperas da COP30, reunindo nomes consagrados da gastronomia brasileira, como Janaína Torres e Carole Crema, para um intercâmbio com as cozinheiras tradicionais de Belém. A expectativa é receber 150 mil pessoas. “Queremos mostrar que é possível unir sabor, cultura e sustentabilidade”, ressalta Joanna.

Para a empresária, a cozinha amazônica é um patrimônio que ainda precisa ser mais conhecido no Brasil. “O mundo está mais aberto aos sabores amazônicos do que a maior parte do Brasil”, lamenta. A solução, segundo ela, passa pelo fortalecimento do mercado consumidor e por investimentos em tecnologia para transformar ingredientes perecíveis em produtos de prateleira sem perder qualidade. Um exemplo é o tucupi, que na forma in natura dura apenas 30 dias refrigerado, mas ganhou versão industrializada com validade de dois anos.

Apesar dos avanços, os desafios permanecem. A logística, a falta de incentivo e a distância dos grandes centros ainda limitam a expansão dos produtos amazônicos. Mas Joanna acredita que a demanda pode mudar esse cenário. “Se as pessoas conhecerem e quiserem comprar, todo o resto se resolve”, defende.

Com iniciativas que unem tradição e inovação, Joanna Martins projeta um futuro em que o consumo consciente ajude a preservar a floresta. “Na Amazônia, o alimento é cultura, saúde e prazer, tudo ao mesmo tempo. Consumir produtos amazônicos é apoiar a floresta em pé”, conclui.

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