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VALE: Tecnored paralisa na terraplanagem em Marabá

Vereadores cobram explicações sobre atraso do projeto Tecnored, que até agora se limita à terraplanagem; empresa afirma que obras seguem em andamento

O projeto Tecnored, anunciado como uma das principais apostas industriais para Marabá, voltou ao centro do debate após críticas sobre a falta de avanço nas obras. Apesar das promessas de investimento bilionário e geração de empregos, o empreendimento da Vale apresenta, até o momento, apenas serviços de terraplanagem concluídos no Distrito Industrial do município.

Reportagem do jornal Correio de Carajás aponta que a área destinada ao projeto permanece praticamente inalterada, com grandes extensões de solo compactado, poucos prédios administrativos finalizados e máquinas paradas no local — cenário que remete ao antigo Projeto Aços Laminados do Pará, que acabou sendo descontinuado após não sair do papel.

A falta de definição sobre o cronograma tem gerado reação no Legislativo municipal. Durante sessão recente, o vereador Marcelo Alves (PT) afirmou que pretende convocar representantes da empresa para prestar esclarecimentos na Câmara.

“Não há cronograma. Não existe uma data para a conclusão da obra nem para o início da operação”, declarou o parlamentar, destacando que a indefinição impacta diretamente a geração de empregos no município.

Segundo ele, o objetivo é garantir a presença de dirigentes com poder de decisão, incluindo nomes ligados à estrutura da empresa, para responder sobre o andamento do projeto e os sucessivos adiamentos.

O Tecnored foi apresentado como uma iniciativa estratégica para verticalizar a produção mineral em Marabá, com foco na fabricação de ferro-gusa de baixo carbono, conhecido como “gusa verde”. O projeto previa a geração de até 2 mil empregos diretos na fase de implantação, além de oportunidades na operação.

As obras preliminares começaram em 2022, com atividades como supressão vegetal, drenagem e terraplanagem, mobilizando cerca de 140 trabalhadores. No entanto, desde então, o avanço tem sido considerado lento, aumentando a frustração diante das expectativas criadas.

O histórico de projetos não concluídos, como o ALPA, reforça a preocupação de que o Tecnored possa ter destino semelhante. Há ainda incertezas sobre uma possível “nova siderúrgica” que seria desenvolvida em parceria com a Sinobras, cujas atualizações deixaram de ser divulgadas desde 2023.

Em nota, a Vale afirma que o projeto não está paralisado. A empresa sustenta que as obras seguem em andamento, incluindo serviços de terraplanagem, drenagem, contenção e construção de vias de acesso, além de negociações com parceiros tecnológicos.

A mineradora também destacou outros investimentos na região, como participação em obras de infraestrutura e projetos públicos. Ainda assim, a ausência de prazos claros mantém o projeto sob pressão e alimenta cobranças por maior transparência e definição sobre seu futuro.

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