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MST anuncia memorial na Curva do S em homenagem às vítimas do massacre de Eldorado do Carajás

Estrutura com pedras será construída às margens da BR-155 para lembrar os 21 trabalhadores rurais mortos em 1996

Durante ato que marcou os 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, realizado nesta sexta-feira (17) na Curva do S, representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra anunciaram a construção de um memorial permanente em homenagem aos 21 trabalhadores rurais mortos no episódio.

O espaço será instalado às margens da BR-155, entre Marabá e Parauapebas, no mesmo local onde ficavam as castanheiras que simbolizavam as vítimas. A proposta é que o memorial seja composto por pedras trazidas de diferentes regiões do Pará.

De acordo com Wellington Saraiva, da coordenação nacional do movimento, a iniciativa busca manter viva a memória do ocorrido. “Será um espaço permanente para que as pessoas saibam que aqui tombaram trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou.

O projeto será desenvolvido em parceria com professores de arquitetura da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará e contará com a participação da juventude do movimento, que ocupa o local desde 2006 como espaço de formação política e denúncia.

Segundo o MST, preservar a memória das vítimas também é uma forma de resistência. O movimento destaca que, desde 1996, mais de 300 pessoas foram assassinadas em conflitos agrários no Pará, muitos casos sem ampla repercussão.

Além da homenagem, o ato também abordou pautas atuais, como a defesa do meio ambiente e críticas a projetos considerados impactantes na região, a exemplo da derrocagem do Pedral do Lourenção.

A mobilização reuniu cerca de 3 mil pessoas, entre trabalhadores rurais, movimentos sociais e autoridades, integrando a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária Popular, realizada no Dia Internacional da Luta Camponesa.

A programação incluiu celebrações religiosas, atividades culturais e ações organizadas por jovens do movimento. A expectativa é que o memorial consolide a Curva do S como um espaço permanente de memória, reflexão e debate sobre os conflitos no campo.

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