Os relatos de luzes misteriosas no céu e de supostos ataques a moradores de Colares, no nordeste do Pará, voltam a ser tema de uma investigação jornalística. Quase cinco décadas depois dos acontecimentos associados à Operação Prato, conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) na década de 1970, o caso é revisitado pela série documental “Arquivos do Céu”, que estreia nesta quinta-feira (29), na plataforma Globoplay.
A produção tem cinco episódios e reúne depoimentos de testemunhas, documentos, imagens de arquivo e investigações sobre avistamentos de objetos voadores não identificados, conhecidos como óvnis. Além dos acontecimentos registrados no Pará, a série aborda a chamada Noite dos Óvnis, em 1986, e outros episódios relacionados à ufologia no Brasil e nos Estados Unidos.
Dirigida por Eliane Scardovelli e Caio Cavechini, a produção foi realizada pelo Jornalismo da Globo e tem narração do cantor e compositor Lulu Santos. A proposta é reunir relatos e registros históricos, apresentando diferentes perspectivas sobre acontecimentos que continuam despertando interesse e questionamentos.
Testemunhas de Colares voltam a relatar experiências
Durante a apuração, a equipe ouviu moradores de Colares que afirmam ter presenciado fenômenos incomuns na região. Entre as testemunhas está Normalina Cardoso, que relembra experiências relacionadas aos episódios investigados.
Segundo Eliane Scardovelli, os relatos chamaram a atenção da equipe pela riqueza de detalhes preservados pelas testemunhas mesmo após quase 50 anos. A diretora também afirmou que a investigação levou os profissionais a conversar com o psiquiatra que atendeu moradores na época e a encontrar informações sobre discussões envolvendo o caso fora do Brasil.
A Operação Prato é o eixo central da série, que procura relacionar os acontecimentos paraenses a outros episódios conhecidos da ufologia brasileira. O trabalho também busca reunir elementos que ajudem o público a compreender o contexto histórico dos relatos e as diferentes interpretações sobre os fenômenos.
Ciência e investigação jornalística
Caio Cavechini explicou que a equipe procurou confrontar os depoimentos com análises científicas e documentos, considerando diferentes hipóteses para os acontecimentos. A proposta foi ouvir as testemunhas sem julgamentos prévios e evitar conclusões que não pudessem ser sustentadas pelos elementos reunidos.
A série conta ainda com a participação do cientista Marcelo Gleiser, que contribui para as discussões sobre ciência, evidências e os limites do conhecimento humano. Ao longo dos episódios, os registros históricos são apresentados em conjunto com os depoimentos e as análises sobre os casos investigados.
Apesar de revisitar histórias que permanecem sem explicação definitiva, “Arquivos do Céu” não estabelece uma conclusão sobre a origem dos fenômenos relatados em Colares ou nos demais episódios abordados.
Para os diretores, a intenção é permitir que o público acompanhe a investigação e conheça diferentes perspectivas sobre os acontecimentos. A produção combina o trabalho de apuração jornalística com elementos de mistério e reflexão científica, mantendo em aberto as questões que ainda não encontraram respostas conclusivas.



