Eleições 2026

Quaest e AtlasIntel apontam cenários opostos na disputa pelo Governo do Pará

Enquanto um levantamento indica vitória de Daniel Santos no primeiro turno, outro coloca Hana Ghassan acima dos 50% dos votos válidos; diferença entre os métodos também chama atenção

A poucas horas da abertura das urnas no Pará, duas das pesquisas mais recentes sobre a disputa pelo Governo do Estado apresentam fotografias completamente diferentes do cenário eleitoral. A Quaest, contratada pela TV Liberal, aponta Daniel Santos (Podemos) com 57% dos votos válidos e Hana Ghassan (MDB) com 40%, enquanto a AtlasIntel, contratada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), registra Hana com 52,5% e Daniel com 46,3%. Os dois levantamentos foram realizados em períodos parcialmente coincidentes e indicam, dentro de suas respectivas margens e metodologias, possibilidade de definição da eleição ainda no primeiro turno.

A diferença entre os resultados coloca em evidência também os métodos utilizados pelos institutos. A Quaest entrevistou presencialmente, em domicílios, 1.800 eleitores paraenses com 16 anos ou mais nos dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Já a AtlasIntel ouviu 1.206 pessoas entre 27 de setembro e 2 de outubro por meio do Atlas RDR (Random Digital Recruitment), sistema de recrutamento digital aleatório pela internet, seguido de pós-estratificação da amostra. A margem de erro informada é de três pontos percentuais, também com confiança de 95%.

Na prática, as duas pesquisas são retratos produzidos a partir de amostras, períodos de coleta e técnicas diferentes, e não previsões do resultado oficial. Diferenças na composição da amostra, na forma de abordagem dos entrevistados, no questionário e nos procedimentos de ponderação podem produzir resultados distintos. Por isso, a comparação entre levantamentos deve levar em conta a metodologia e as datas de campo, e não apenas os percentuais apresentados.

A divergência fica ainda mais evidente porque os trabalhos foram realizados praticamente na reta final da campanha. A AtlasIntel fez a coleta entre 27 de setembro e 2 de outubro, enquanto a Quaest ouviu os eleitores nos dias 2 e 3 de outubro. Ou seja, embora haja sobreposição no período, parte das entrevistas ocorreu em momentos diferentes da corrida eleitoral.

Decisão do TRE suspendeu parte da divulgação da Quaest

Outro elemento entrou no debate sobre a pesquisa da Quaest. Na tarde de sábado (3), o juiz auxiliar do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), Flávio Sanchez Leão, concedeu parcialmente uma tutela de urgência em representação apresentada pelo PDT contra o instituto.

A decisão apontou que a pesquisa registrada sob o número PA-04580/2026 retirou Ruth Reis da chamada “Questão 9”, um dos cenários de primeiro turno, embora a candidatura permanecesse em situação sub judice durante o período de coleta. O magistrado entendeu que havia aparente desconformidade com a regra eleitoral que determina a inclusão de candidaturas nessa condição.

Por isso, a Justiça Eleitoral determinou que a Quaest e a TV Liberal se abstivessem de divulgar os resultados específicos da Questão 9, sob pena de multa de R$ 50 mil por ato de descumprimento. A decisão, porém, não anulou integralmente a pesquisa: os demais resultados, incluindo outros cenários para o governo e os dados para o Senado, permaneceram autorizados.

Mesmo após a decisão assinada às 14h30, O Liberal publicou às 17h15 uma reportagem com os resultados da Quaest, apresentando Daniel com 57% dos votos válidos e Hana com 40%. A matéria identifica o levantamento como a terceira pesquisa Quaest contratada pela TV Liberal.

A decisão do TRE também deixou claro que a medida tinha caráter provisório e que não representava uma declaração definitiva de invalidade da pesquisa. A Quaest foi intimada a apresentar defesa, e o processo ainda seguiria para manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral e posterior julgamento.

Com as urnas prestes a abrir, a resposta definitiva para a divergência entre as duas pesquisas deixará de estar nos levantamentos e passará para a apuração oficial dos votos. O resultado das urnas permitirá comparar, posteriormente, o desempenho de cada levantamento com o cenário efetivamente registrado pelos eleitores.

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