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PF aponta repasses, viagens e imóvel entre suspeitas envolvendo Jaques Wagner na Operação Compliance Zero

Investigação sobre suposto esquema ligado ao Banco Master cita transferências financeiras, uso de aeronave, ingressos para shows e aquisição de apartamento em Salvador

A Polícia Federal detalhou uma série de benefícios que teriam sido recebidos pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) e que são alvo de investigação na 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (19). A apuração está relacionada a um suposto esquema de fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master.

As suspeitas embasaram a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra os investigados.

De acordo com os autos da investigação, a Polícia Federal apura a relação entre o senador e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-controlador do Banco Pleno e apontado como aliado do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

PF investiga supostas vantagens recebidas

Segundo a investigação, os benefícios analisados incluem transferências financeiras, viagens, utilização de aeronaves particulares, aquisição de imóvel e ingressos para eventos.

Entre os elementos reunidos pela Polícia Federal estão registros de supostos repasses que somariam R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar.

A apuração aponta que os recursos teriam sido transferidos pela empresa PKL One Participações S.A., vinculada a familiares de Augusto Lima, para a BN Financeira Ltda., empresa relacionada à família de Jaques Wagner.

Os investigadores também analisam mensagens extraídas de aparelhos celulares apreendidos durante as fases anteriores da operação.

Apartamento em Salvador entra na investigação

Outro ponto citado pela Polícia Federal envolve a compra de um apartamento em Salvador, na Bahia.

Segundo a investigação, a negociação teria sido realizada por meio da empresa Epítome S.A., utilizando recursos provenientes de fundos ligados ao Banco Master.

Os documentos apontam que conversas relacionadas ao imóvel continuaram mesmo após o avanço das investigações da Operação Compliance Zero.

Viagens e uso de aeronave

A PF também investiga uma viagem realizada à Ilha da Paixão, localizada no município de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador.

Conforme a apuração, mensagens encontradas pelos investigadores indicam que uma aeronave particular teria sido colocada à disposição do senador para deslocamento ao local, juntamente com familiares.

Os registros analisados pela Polícia Federal apontam trocas de mensagens sobre datas, horários e logística da viagem.

Ingressos para show da Taylor Swift

Entre os itens citados na investigação estão ingressos para apresentações da cantora Taylor Swift durante a turnê realizada em 2023.

Segundo a PF, bilhetes adquiridos por determinação de Augusto Lima teriam sido destinados a familiares do senador. Os investigadores apuram a origem dos recursos utilizados na compra das entradas e a finalidade da operação.

Dinheiro em espécie apreendido

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 49 mil em espécie em um endereço relacionado ao senador em Brasília.

Jaques Wagner afirmou que os valores têm origem legal e seriam provenientes de diárias recebidas durante viagens internacionais realizadas no exercício do mandato parlamentar.

Atuação política é alvo da apuração

A principal linha investigativa da Operação Compliance Zero busca identificar se houve atuação política em defesa de interesses ligados ao Banco Master dentro do Congresso Nacional.

Entre os temas analisados estão propostas relacionadas ao crédito consignado, alterações em regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e discussões envolvendo uma possível operação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

A Polícia Federal apura se eventuais benefícios recebidos teriam relação com a defesa dessas pautas.

Investigação segue em andamento

A Operação Compliance Zero foi iniciada em 2025 para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e seus dirigentes.

Ao longo das fases da operação, a Polícia Federal ampliou as apurações para possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial, uso indevido de informações sigilosas e repasses a agentes públicos.

Os investigados citados no processo negam irregularidades. O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal.

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