O Pará deu mais um passo na política de preservação ambiental aliada ao desenvolvimento econômico ao consolidar a maior concessão de manejo florestal sustentável já realizada no Brasil. O resultado preliminar do processo foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) e contempla mais de 800 mil hectares de florestas públicas nas regiões Oeste e Sudoeste paraense.
A iniciativa é coordenada pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) e envolve áreas das Florestas Estaduais (Flotas) do Paru e do Iriri. Com a nova concessão, o Pará passa a somar cerca de 1,5 milhão de hectares destinados ao manejo sustentável, consolidando a liderança nacional no setor.
As concessões permitem a exploração legal e controlada de produtos madeireiros, não madeireiros e serviços florestais, sob regras ambientais rígidas, com foco na preservação da floresta em pé e no combate à exploração ilegal.
Na Flota do Paru, as empresas vencedoras foram:
- Arapua Florestal Ltda, nas UMFs VIa e VIIIa;
- MCS Agroflorestal e Construção Civil Ltda, na UMF X;
- TMBR Serviços Florestais Eireli, na UMF XI.
Já na Flota do Iriri:
- Cichelero Indústria, Comércio e Exportação de Madeiras Ltda venceu a UMF I;
- Curua Florestal Ltda ficou com a UMF II.
Ao todo, 15 empresas participaram do processo licitatório, estruturado com apoio técnico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
As áreas concedidas estão localizadas em duas das maiores e mais importantes florestas públicas do estado. A Flota do Paru possui cerca de 3 milhões de hectares, enquanto a Flota do Iriri ocupa aproximadamente 440 mil hectares.
Segundo o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, o avanço representa uma mudança de escala na política ambiental do estado.
“O Pará reafirma seu compromisso com a floresta em pé e com o desenvolvimento sustentável. Conseguimos transformar a realidade das concessões florestais no estado, consolidando o Pará como referência nacional em manejo responsável”, afirmou.
A diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção do Ideflor-Bio, Ana Cláudia Simoneti, destacou ainda o protagonismo feminino na construção do projeto.
“É um orgulho ver o Pará fazer história com a maior licitação em área concedida de uma só vez para manejo sustentável. E mais ainda pelo protagonismo feminino em todas as etapas do processo”, declarou.
Durante a elaboração das concessões, o governo realizou consultas públicas e reuniões com comunidades tradicionais, conselhos gestores, trabalhadores extrativistas e povos indígenas da região. Parte das contribuições apresentadas foi incorporada ao modelo final.
O governo estadual defende que o manejo sustentável funciona como alternativa econômica para geração de empregos e renda na Amazônia, ao mesmo tempo em que fortalece a conservação ambiental e reduz pressões do desmatamento ilegal.



