Página dedicada a pichações comemora vandalismo em casarão histórico dos Mercedários recém-restaurado em Belém
Imóvel histórico passou por restauração milionária para a COP30, mas foi alvo de pichação poucos dias após a conclusão das obras. Publicação gerou críticas e também mensagens de apoio ao ato nas redes sociais.
A pichação do histórico Casarão dos Mercedários, um dos imóveis mais importantes do Centro Histórico de Belém, ganhou repercussão nas redes sociais após ser celebrada pela página “Pixo Belém”, perfil voltado à divulgação de pichações realizadas na capital e em municípios da região.
Na biografia da página no Instagram, o perfil se apresenta com a frase: “Capturando a arte proibida das ruas de Belém do Pará e regiões. Compartilhe seu registro com a hashtag #PIXOBELEM”.
A publicação compartilha um trecho de uma reportagem exibida no Jornal Liberal 1ª Edição, que denunciava a depredação do prédio histórico. Em vez de criticar o vandalismo, o perfil utilizou a reportagem para destacar a ação dos pichadores, identificados pelas assinaturas “Agrado” e “Arara (Zorra/Quiksilver)”.
Nos comentários, alguns seguidores comemoraram a pichação e elogiaram a ação, enquanto outros criticaram a depredação de um patrimônio histórico recém-restaurado.
O episódio chama atenção porque o Casarão dos Mercedários passou recentemente por uma ampla restauração, realizada em parceria entre a Universidade Federal do Pará (UFPA) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A obra, executada com investimento de milhões de reais, integra o conjunto de intervenções para revitalizar o Centro Histórico de Belém antes da realização da COP30.
A pichação reacende o debate sobre os limites entre expressão urbana e vandalismo. Enquanto alguns grupos defendem a prática como manifestação artística e de ocupação do espaço público, especialistas em preservação do patrimônio destacam que intervenções não autorizadas em bens históricos configuram dano ao patrimônio cultural e podem gerar elevados custos para limpeza e recuperação.
O caso também evidencia um desafio recorrente nas áreas históricas de Belém: além dos investimentos na recuperação dos imóveis, será necessário fortalecer ações de fiscalização, educação patrimonial e responsabilização para evitar que espaços restaurados voltem a ser depredados poucos dias após sua entrega à população.



