A realidade é que o petismo parece ter perdido qualquer horizonte de transformação real para o Brasil. O discurso político continua concentrado em uma fórmula conhecida: mais um auxílio, mais um aumento do Bolsa Família, mais um grupo incluído no BPC, mais subsídios para determinados setores da economia.
Não há problema em defender políticas de transferência de renda. Elas têm importância e podem ser fundamentais para milhões de brasileiros. O problema aparece quando essas políticas deixam de ser parte de uma estratégia maior e passam a ser apresentadas como se fossem, por si só, um projeto de país.
O Brasil continua convivendo com problemas estruturais que não desaparecem com a simples ampliação de benefícios. Educação básica de baixa qualidade, saneamento insuficiente, infraestrutura deficiente, baixa produtividade, informalidade, sistema tributário complexo, dificuldades de acesso à moradia e desigualdades entre as regiões continuam esperando respostas.
É justamente nesse ponto que o projeto petista demonstra suas limitações.
Em vez de discutir como fazer o brasileiro depender cada vez menos de políticas de transferência de renda, o debate frequentemente se resume a quem será incluído no próximo programa ou quanto determinado benefício deverá aumentar.
O Estado precisa proteger quem está em situação de vulnerabilidade. Mas um país que pretende se transformar precisa também criar condições para que essas pessoas tenham acesso a empregos melhores, educação de qualidade, infraestrutura, renda e oportunidades.
Distribuir renda é diferente de criar riqueza. Subsidiar setores da economia é diferente de construir uma indústria competitiva. Ampliar benefícios é diferente de resolver as causas que fazem tantas pessoas dependerem permanentemente deles.
O Brasil precisa de uma agenda que olhe para as próximas décadas, e não apenas para o próximo ciclo eleitoral. Precisa discutir produtividade, educação, inovação, infraestrutura, saneamento, segurança, habitação, ambiente de negócios e geração de empregos qualificados.
Programas sociais podem fazer parte dessa estratégia, mas não podem ser confundidos com ela.
O verdadeiro desafio para qualquer projeto progressista deveria ser construir um país em que cada vez menos pessoas precisem depender de benefícios públicos para sobreviver. Se a principal resposta para os problemas sociais continuar sendo aumentar o tamanho da ajuda estatal, o país estará apenas administrando suas próprias deficiências.
O Brasil precisa de mais do que distribuição de recursos. Precisa de um projeto de transformação capaz de atacar as raízes dos seus problemas — e é justamente esse horizonte que o petismo parece ter perdido.



