Movimento lança petição contra instalação de data center de inteligência artificial em Belém
Coletivo Pororoka e Amazônia no Ar cobram estudos, transparência e participação popular antes do avanço do projeto BEL1, da Elea Data Centers

Uma mobilização contra a instalação de um data center voltado à inteligência artificial em Belém ganhou força nas redes sociais nos últimos dias. O movimento “Amazônia sem Data Center” lançou uma petição para pedir a suspensão de autorizações ou da instalação do projeto BEL1 até que estudos sobre os possíveis impactos do empreendimento sejam apresentados e a população seja ouvida.
A campanha é divulgada pelo Coletivo Pororoka, que se apresenta como uma articulação de midiativismo e ativismo pan-amazônico, em parceria com o Amazônia no Ar. Uma das publicações sobre a mobilização já reúne mais de 3,4 mil curtidas, 155 comentários e quase 1,5 mil compartilhamentos. A petição estabelece inicialmente uma meta de 10 mil assinaturas.
O projeto questionado é o BEL1, da Elea Data Centers, anunciado em junho deste ano. A primeira fase foi projetada para operar com capacidade de 7,5 megawatts (MW), com possibilidade de expansão para até 100 MW. A estrutura está prevista para funcionar nas proximidades da Subestação Miramar, em Belém, e a empresa estima o início da operação para o segundo trimestre de 2027.
Entre os pontos levantados pela campanha estão o licenciamento ambiental, os estudos sobre consumo de energia e água, geração de calor e ruído, impactos urbanos e possíveis consequências de uma futura ampliação da capacidade do empreendimento. O grupo afirma que essas informações precisam ser apresentadas antes do avanço da instalação.
A discussão ganhou uma frente institucional em julho, quando o Ministério Público do Pará instaurou um inquérito civil para apurar a legalidade do projeto e seus possíveis impactos ambientais, climáticos e sociais. O procedimento também questiona a existência de estudos de impacto e de mecanismos de consulta à população potencialmente afetada.
Em agosto, informações repassadas pela Elea ao MPPA indicaram que o empreendimento ainda estava em fase de planejamento e que os estudos técnicos não estavam concluídos. A empresa também informou que ainda estava em discussão qual órgão teria competência para conduzir o licenciamento ambiental — Semas, Semma ou o órgão ambiental de Barcarena.
A própria empresa afirma que o BEL1 será abastecido integralmente com energia renovável e que o sistema de refrigeração funcionará em circuito fechado, sem consumo de água para resfriamento dos equipamentos durante a operação. A Elea estima investimento inicial de R$ 250 milhões no empreendimento.
O Coletivo Pororoka também publicou, em julho, um levantamento próprio sobre o projeto. Segundo o grupo, Pará e Belém ainda não possuem legislação específica para o licenciamento de data centers e a população não teria sido informada ou consultada previamente sobre a instalação. O coletivo afirma ter procurado órgãos públicos para obter informações sobre o licenciamento e fiscalização, mas diz que não recebeu respostas até a publicação do levantamento.
A mobilização ocorre enquanto o BEL1 ainda passa pelas etapas de planejamento e análise institucional. Em setembro, a deputada estadual Lívia Duarte (PSOL) também solicitou uma audiência com a promotoria responsável pelo inquérito do MPPA para discutir a implantação do empreendimento e seus possíveis impactos socioambientais.
Com a petição, os organizadores defendem que a expansão da infraestrutura de inteligência artificial em Belém seja acompanhada por informações públicas, estudos técnicos e participação social antes da tomada de decisões sobre o empreendimento.



