Mosqueiro, distrito de Belém, volta a receber nesta terça-feira (1º) uma de suas manifestações culturais mais conhecidas e irreverentes: a tradicional Festa de São Car4lho. Criada pela própria população em 1988, a celebração reúne moradores e visitantes em um cortejo marcado por música, fantasias, humor e críticas sociais.
Apesar do nome provocativo, o evento não possui qualquer ligação com a Igreja Católica e nem homenageia um santo oficialmente reconhecido. A festa nasceu como uma brincadeira popular e, ao longo dos anos, transformou-se em um dos principais símbolos da identidade cultural da ilha.
Como surgiu a festa
A origem da manifestação remonta ao ano de 1988, quando trabalhadores de uma obra na região da Praia Grande decidiram improvisar um mastro para marcar o encerramento das festividades juninas.
O gesto, inicialmente descontraído e sem maiores pretensões, rapidamente conquistou moradores da comunidade e passou a ser repetido anualmente.
Com o passar dos anos, a celebração ganhou novos participantes, incorporou elementos culturais próprios e tornou-se uma tradição aguardada por moradores e turistas.
Humor e crítica social
A Festa de São Car4lho acontece sempre em 1º de julho, logo após as comemorações de São Pedro.
O mastro utilizado durante os festejos religiosos é reaproveitado simbolicamente para marcar o início do período de férias em Mosqueiro, quando a ilha passa a receber milhares de visitantes.
Durante o cortejo, participantes percorrem as ruas fantasiados, acompanhados por música e manifestações bem-humoradas.
Além do caráter festivo, a celebração também funciona como espaço de crítica social. Ao longo do percurso, são comuns referências a problemas enfrentados pela população, como dificuldades no transporte público, precariedade da infraestrutura, abandono de espaços públicos e outras demandas históricas da comunidade.
Patrimônio da cultura popular
Ao longo de quase quatro décadas, a Festa de São Car4lho consolidou-se como uma das manifestações culturais mais conhecidas de Mosqueiro e ganhou reconhecimento para além das fronteiras do Pará.
A tradição foi registrada no documentário “O Mastro de São Car4lho”, dirigido por Márcio Barradas, que apresenta a origem da celebração e destaca sua importância como expressão da cultura popular paraense.
Mais do que uma festa irreverente, a manifestação representa a criatividade, o humor e a capacidade da população de transformar tradições populares em espaços de convivência, identidade e reflexão sobre a realidade local.



