Mesmo com Zona Franca, Amazonas exporta quase 21 vezes menos que o Pará
Estado que abriga o principal polo industrial incentivado do país exportou US$ 501 milhões em 2026, enquanto o Pará ultrapassou US$ 10,4 bilhões e lidera com folga o comércio exterior da Região Norte.
Amazonas continua tendo participação modesta no comércio exterior brasileiro quando comparado ao Pará. Dados do Comex Stat mostram que, entre janeiro e maio de 2026, o estado amazonense exportou US$ 501,6 milhões, enquanto o Pará alcançou US$ 10,4 bilhões em vendas para o mercado internacional.
Na prática, isso significa que o Pará exportou cerca de 20,7 vezes mais que o Amazonas no período, consolidando sua posição como a principal potência exportadora da Região Norte. O desempenho paraense foi impulsionado principalmente pela mineração, pelo agronegócio e pela produção de commodities voltadas ao mercado internacional.
O contraste chama atenção porque a Zona Franca de Manaus é frequentemente apresentada como um dos principais motores econômicos da Amazônia. O modelo recebe incentivos fiscais bilionários e depende da aprovação periódica dos demais estados brasileiros para manter seus benefícios tributários. Ainda assim, os números do comércio exterior mostram uma participação relativamente pequena do Amazonas nas exportações nacionais.
Enquanto o Pará lidera com ampla vantagem, outros estados da Região Norte também aparecem à frente do Amazonas no ranking exportador. Rondônia e Tocantins vêm ampliando sua participação nos últimos anos impulsionados principalmente pelo agronegócio, enquanto o Pará segue como principal protagonista regional.
O desempenho paraense reforça o papel estratégico do estado na balança comercial brasileira. Somente nos cinco primeiros meses de 2026, o Pará respondeu por 7,2% de todas as exportações do país, ocupando a quinta posição entre os estados brasileiros e registrando crescimento de 13,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os números também alimentam um debate recorrente na Amazônia: até que ponto os incentivos concedidos à Zona Franca de Manaus geram benefícios proporcionais para a economia nacional. Enquanto o Amazonas concentra um modelo baseado na indústria incentivada voltada principalmente para o mercado interno, o Pará se consolidou como um dos maiores geradores de divisas do Brasil por meio das exportações.
O resultado mostra que, apesar da força política e econômica da Zona Franca, é o Pará quem continua sustentando a liderança exportadora da Região Norte e ocupando posição de destaque no comércio exterior brasileiro.



