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Infância ribeirinha de Barcarena ganha projeção internacional em concurso de fotografia

Imagem feita às margens do rio Arauaia retrata infância amazônica sob a chuva e emociona moradores da região Norte ao destacar identidade ribeirinha do Pará

Uma cena simples, comum para quem cresce às margens dos rios amazônicos, atravessou fronteiras e colocou Barcarena em evidência em um concurso internacional de fotografia.

O registro feito pelo fotógrafo e comunicador paraense Helder Lana foi selecionado para a competição promovida pela PhotoFUNIBER, iniciativa internacional voltada a obras que abordam impacto social, diversidade cultural, transformação humana e conexão entre comunidades.

A fotografia recebeu o título “Infâncias Ribeirinhas, Futuros Compartilhados” e retrata duas crianças brincando sob a chuva em um trapiche no rio Arauaia, em Barcarena.

Na imagem aparecem Maria Eloísa, atriz mirim e influenciadora paraense, ao lado de Geane, moradora da comunidade ribeirinha local. Apesar das realidades diferentes, as duas compartilham na fotografia uma experiência típica da infância amazônica: a relação espontânea com os rios, a chuva e a liberdade presente nas comunidades ribeirinhas.

Segundo Helder Lana, o momento aconteceu de maneira completamente natural, durante uma visita ao espaço da marca Arauaia Cacau de Origem, onde voluntários produziam conteúdos ligados a iniciativas socioambientais da região.

“A foto não foi posada, não teve direção e nem repetição. Ela simplesmente aconteceu. Acho que o grande trunfo dessa imagem é justamente a verdade que ela carrega”, afirmou o fotógrafo.

Mais do que um registro visual, a fotografia passou a despertar forte identificação emocional em moradores da região Norte, especialmente em pessoas que associaram a cena às próprias lembranças da infância no interior amazônico.

“Quando olho para essa imagem, vejo duas crianças vivendo o presente sem medo, cercadas pela natureza, pelos rios e pela liberdade de ser criança. Acho que muita gente acaba lembrando das férias no interior, das brincadeiras simples e da infância vivida perto da água”, destacou Helder.

O fotógrafo contou que a imagem permaneceu guardada durante muito tempo até que um amigo enviou o edital do concurso internacional. Ao conhecer a proposta da competição, percebeu que a fotografia dialogava diretamente com temas como pertencimento, humanidade e transformação social.

Para Helder Lana, o reconhecimento internacional também contribui para apresentar uma Amazônia diferente daquela frequentemente retratada fora da região.

“Durante muito tempo, a Amazônia foi mostrada pelos olhos de quem não vive nela ou através de estereótipos. Mostrar Barcarena através da fotografia é mostrar que aqui existem histórias, afeto, infância e uma beleza humana muito conectada com a natureza”, afirmou.

A repercussão da imagem também emocionou familiares das crianças retratadas e moradores da comunidade, que passaram a enxergar no registro um símbolo da própria vivência ribeirinha.

Formado em Marketing e atuando na área de Comunicação Corporativa com foco em audiovisual, Helder Lana iniciou a trajetória na fotografia ainda na adolescência, quando criou, junto com amigos, um site voltado à cobertura de eventos em Barcarena. Desde então, passou a registrar personagens, paisagens e comunidades amazônicas utilizando a fotografia como ferramenta de conexão com o território e suas histórias.

As votações do concurso internacional seguem abertas até o dia 23 de maio.

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