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Incêndio que atingiu 58 hectares em Alter do Chão é controlado, mas novos focos preocupam

Bombeiros, brigadistas voluntários e indígenas Borari continuam atuando na região de Santarém. Fogo atingiu vegetação nativa de área de proteção ambiental e mobilizou equipes estaduais e federais.

Um incêndio de grandes proporções que atingiu aproximadamente 58 hectares de vegetação nativa na Área de Proteção Ambiental (APA) de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará, foi controlado no sábado (31). Apesar do avanço no combate às chamas, novos focos foram identificados na região, e equipes continuam mobilizadas para evitar que o fogo volte a se espalhar.

Bombeiros militares, brigadistas voluntários e indígenas da etnia Borari participaram da operação. O combate também contou com o apoio de aeronaves do governo federal. Segundo João Romano, fundador da Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão, a resposta rápida das equipes foi fundamental para conter as principais frentes de fogo.

De acordo com o brigadista, uma das áreas ameaçadas era uma formação de savana, enquanto outra frente avançava na direção da floresta. Ambas foram controladas. No entanto, ainda havia focos na margem do Lago Verde, um dos principais pontos turísticos de Alter do Chão, que passaram a receber atenção das equipes da Rede de Brigadas do Baixo Tapajós.

O grupo Guardiões do Território Borari, formado por indígenas da região, também participa das ações de proteção e vigilância do território.

Novos focos e investigação

Um novo foco foi identificado na noite de sábado, às margens da rodovia PA-457, nas proximidades de uma escola e ainda dentro da área de proteção ambiental. Segundo o sargento do Corpo de Bombeiros do Pará Julio César Galúcio, esse incêndio foi extinto na tarde de domingo (1º).

O militar afirmou que a maioria das ocorrências na região está relacionada a atividades agropecuárias, como limpeza de terrenos, queima de lixo e abertura de áreas. Em períodos de seca, essas práticas podem favorecer a propagação das chamas pela vegetação.

O prefeito de Santarém, Zé Maria Tapajós, informou que acionou as polícias Civil e Militar para investigar as queimadas. O município também decretou situação de emergência em razão dos impactos da fumaça sobre a qualidade do ar.

Conforme informações divulgadas pela prefeitura, o governo federal disponibilizou seis aeronaves, dois helicópteros e 70 brigadistas para auxiliar no combate aos incêndios. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão de unidades de conservação federais, informou que a situação estava controlada, mas as equipes continuaram atuando em pontos onde ainda havia fumaça, inclusive com o uso de aeronaves.

A Prefeitura de Santarém também mantém ações de fiscalização ambiental para monitorar as áreas atingidas, identificar a vegetação afetada e reunir informações que contribuam para a apuração das ocorrências.

Histórico de incêndios em Alter do Chão

A região já enfrentou outro incêndio de grandes proporções em 2019, quando aproximadamente 1,6 mil hectares foram atingidos pelo fogo. O novo episódio volta a chamar atenção para a vulnerabilidade da vegetação amazônica durante períodos de estiagem.

Alter do Chão é um distrito de Santarém conhecido pelas praias de água doce e pela paisagem formada pelos rios e pela floresta. Apelidada de Caribe da Amazônia, a vila fica a cerca de 36 quilômetros da sede do município e possui aproximadamente 5 mil moradores.

O controle das principais frentes de incêndio representa um avanço, mas a permanência de focos isolados mantém as equipes em alerta para evitar novos danos à vegetação da região.

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