Coluna

Edmilson e sua eterna mulher de malandro

O nosso saudoso e injustiçado Wilson Simonal, o Frank Sinatra brasileiro, tinha uma canção com a seguinte letra:

Depois que o fogo destruiu meu barracão
Ela chorando, me pediu perdão
E agora, quando vou para a orgia
Dou-lhe antes um castigo, do contrário a nega chia

Mulher de malandro, rapaz
Apanha um dia, no outro quer mais (bis)

Nem imagino essa música cantada hoje, sem uma enxurrada de críticas dos movimentos feministas. Críticas à parte, o fato é que a canção mostra muito do relacionamento doentio e promíscuo entre aqueles que batem e os que apanham de forma habitual. 

Outra música sobre o mesmo tema, agora de Guilherme de Brito, mostra a cumplicidade entre ambos quando diz “se eu sou erva daninha porque tu és a minha raiz

Quem bate pede desculpas e diz que vai mudar. Quem apanha defende o agressor e jura de pé junto que agora ele é outra pessoa. Quem já não viu esse filme?

O relacionamento entre Edmilson Rodrigues e o PT é certamente um desses. 

1 ato: Surrou e chamou de vagabunda

Em 2005, quando Edmilson Rodrigues deixou o PT, em meio ao escândalos do Mensalão, justificou sua saída jogando a culpa na legenda e na necessidade de uma renovação política. Acusou o PT de corrupção, de desmatamento irresponsável da Amazônia e pelo descaso com os mais necessitados e por aí vai.

Sua saída, todavia, escondia uma outra motivação, esta, muito menos altruísta, tinha mais haver com disputas por espaço no partido. A força socialista, tendência do PT à qual Edmilson fazia parte, não conseguia fazer frente à Democracia Socialista(DS) de nomes em ascensão, como Ana Júlia e Puty.

2 ato: desprezou quando a viu com outro

No ano seguinte, quando Ana Júlia foi para o segundo turno, pelo PT, da disputa ao Governo do Estado, Edmilson, agora do PSOL, sequer lhe deu um tapinha nas costas desejando boa sorte.

3 ato: achava que os amigos do casal ficariam ao seu lado 

Passaram-se os anos e Edmilson ressurge em 2012 concorrendo a Prefeitura de Belém. Não procurou o PT, achando que o eleitor da sigla votaria nele naturalmente e sem qualquer esforço. Como se diz na gíria popular, “por osmose”. Não votou.

4 ato: vazou nudes e disse aos amigos que o relacionamento não passou de uma transa casual

Em 2016, quando se lançou novamente candidato e o anti-petismo alcançando picos nunca antes vistos, Edmilson resolveu “descolar” de vez do PT, dar uma repaginada. Trocou de nome de Edmilson Rodrigues para “Ed”, procurou vender-se de uma forma mais equilibrada e, por fim, trocou a cor da camisa e da campanha. Em vez do vermelho bolchevique, passou a usar o inexpressivo lilás, tão neutro quanto exército suíço. 

5 ato: voltou a comer escondido

Quando chegou ao segundo turno, vendo que muito provavelmente jamais teria uma chance tão boa quanto aquela, apelou até para os seus antigos camaradas do PT. Como todos sabemos, também não deu certo.

6 ato: Bateu o arrependimento e quer voltar

Qual a surpresa agora? Vendo que seu antigo partido atualmente é base do governo Helder Barbalho, resolveu tentar uma reaproximação. Reatar a relação.

Na noite de 26 de junho passado, em reunião do diretório, o PT decidiu apoiar o pré-candidato à Prefeitura Municipal de Belém em 2020, o deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL).

Decisão de diretório, tenho certeza, daquelas que causam indignação na base. Caso eu esteja enganado daí seria um caso mais sério…

Maria da Penha…

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