
Uma coleção científica com quase 47 mil exemplares de mamíferos está localizada em Belém. O acervo pertence ao Museu Paraense Emílio Goeldi e é um dos maiores da América do Sul em número de registros.
Diferente das áreas abertas ao público, o material está armazenado no campus de pesquisa da instituição, onde ficam as coleções científicas. O espaço é destinado a estudos e não recebe visitação regular.
Entre os exemplares catalogados estão espécies da fauna amazônica, como onças-pintadas, peixes-boi, primatas e outros mamíferos. Os registros foram reunidos ao longo de décadas e permitem analisar a distribuição das espécies e mudanças ao longo do tempo.
Parte da coleção teve início com o aproveitamento de animais que morreram no próprio parque do museu. Atualmente, o acervo inclui materiais coletados principalmente ao longo do século XX, além de espécies ameaçadas de extinção.
O conjunto também reúne cerca de 70 exemplares classificados como “tipos”, utilizados como referência na descrição científica de espécies. Esses itens são considerados essenciais para estudos taxonômicos.
A maior parte dos registros tem origem na Amazônia Oriental e em áreas de transição, incluindo regiões do Pará, Maranhão, Tocantins e Rondônia. Apesar do volume de dados, pesquisadores apontam que ainda existem lacunas no mapeamento da fauna, especialmente em áreas mais isoladas.
Segundo especialistas, essas lacunas estão relacionadas à concentração histórica de coletas em regiões próximas a grandes rios, o que limitou o alcance dos registros em outras áreas.
O acervo é utilizado em pesquisas sobre biodiversidade, evolução das espécies e também em estudos relacionados à saúde, incluindo doenças que podem circular entre animais e humanos.
O acesso ao material é restrito a pesquisadores, devido à necessidade de preservação dos exemplares. Os itens exigem manuseio controlado e condições específicas de conservação.
A coleção enfrenta desafios, como a necessidade de profissionais especializados e manutenção da estrutura. Desde 2025, o acervo de mamíferos não conta com curador. Por outro lado, os dados estão digitalizados e disponíveis em plataformas científicas, o que permite consulta por pesquisadores.
Mesmo sem acesso direto ao público, o conjunto segue sendo utilizado como base para estudos sobre a biodiversidade da Amazônia.
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