Coluna

Ed “é do bem”

Por Eduardo Cunha

O jingle da campanha do Edmilson Rodrigues (Psol) para Prefeitura de Belém fala que “ ele é do bem”. Pode parecer uma frase qualquer em um jingle de campanha, mas, na verdade, diz muito sobre a falsa premissa vendida aos quatro cantos, de que a esquerda quer o bem do povo e que são os mocinhos, enquanto a direita é composta por gente má, rica e que não trabalha. Ora, se Ed é do bem, já dá uma indicação aí que considera os outros do “mal”. Estou correto?

Para quem não conhece, esse é o tal monopólio da moral e ética que a esquerda julga ter. Naturalmente, como representa o bem e o povo, tudo pode para atingir seus objetivos nobres e altruístas.

Não precisa ser um cientista político para perceber que esse discurso é de um cafajestismo intelectual maniqueísta sem tamanho, mas Ed parece perpetuá-lo convenientemente.

Vejamos:

É por todos sabido que a esquerda perdeu as ruas há tempos. As periferias e os trabalhadores são, em sua maioria, “antiesquerda”, basta perguntar ao garçom, ao barbeiro, ao mototaxista, ou seja: ao povo sobra Lula e o PT. 

A esquerda frequenta mais os cafés, os bistrôs, os clubes de jazz onde se discute a poesia dos socialistas Pablo Neruda e García Lorca, que o boteco que só vende Glacial na esquina, mas se julga mais povo que estes.

Quanto à ética, não perco mais meu tempo. Basta ver que o combate à corrupção deixou de aparecer nas pautas dos candidatos da esquerda. Por que seria????

Os votos da esquerda no Congresso são sempre a favor de aliviar a barra de políticos corruptos, afrouxar a legislação de colarinho branco, soltar camaradas presos e já tem gente querendo até acabar com a Lei da Ficha Limpa. Imaginem!!

De “comedores de criancinhas” , a propaganda transformou o candidato da esquerda em um asceta que vive uma vida privada das riquezas e que escolheu a política para fazer o bem ao seu povo e trazer justiça ao mundo.

De sanguinário e cruel, Che Guevara passa a ser um pacifista virtuoso comparado a Gandhi e Jesus Cristo. Já os camaradas condenados, como Lula e o próprio Ed, passam a ser heróis do povo “perseguidos pela justiça”.

Para eles, ter dinheiro é ser do “mal”, pois demonizam o lucro e o sucesso empresarial, cuja origem é, necessariamente, a exploração do trabalhador pelos donos dos meios de produção, embora eles próprios pratiquem a mesma exploração como líderes sindicais, ONGS, movimentos como MST e MTST. Trabalho que é bom, nada, já o abandonaram faz muito tempo. 

Falsa moral esquerdista – Lhes apresento a “falsa moral esquerdista”. Voilá!!

Adora uma boa vida que a riqueza proporciona, mas precisa sempre criticar o vil metal dos burgueses; desvia recursos; participa de esquemas; faz negociatas, mas tudo estaria perdoado, porque são “do bem” e possuem uma causa maior que tudo justifica; falam em democracia, mas são os primeiros a negar a decisão da maioria quando esta não lhes beneficia. Aliás, se repararmos bem, a essência do marxismo nega a própria democracia, que seria, para eles, a manutenção do status quo burguês.

Está aí a moral esquerdista, tão distorcida como cena de filme do Expressionismo Alemão. Se Ed é do bem defende o pobre. Se defende o pobre é porque Ed é pobre também. Se é pobre, mesmo sendo deputado federal, sobrevive do trabalho de professor e mora em uma vila numa casa cheia de infiltrações e só possui um Pálio, dois Fuscas e duas bicicletas. 

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