
Moradores e frequentadores do entorno da Praça da República, em Belém, denunciam uma prática sistemática de descarte irregular de lixo na Avenida Nazaré. O foco das reclamações é um supermercado localizado na galeria térrea do Edifício Manoel Pinto da Silva, cujos funcionários são flagrados diariamente depositando resíduos diretamente na calçada.
O cenário agrava a situação da capital paraense que, segundo o Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU), é considerada a terceira capital mais suja do Brasil, apresentando indicadores superiores apenas aos de Porto Velho e Macapá.
Resíduos e dignidade humana
De acordo com os relatos e registros em vídeo, os resíduos são majoritariamente orgânicos, compostos por restos de hortifruti e sobras do restaurante que funciona no interior do estabelecimento. A forma do descarte é o que mais choca: em vez de os alimentos serem destinados a programas de doação que respeitem a dignidade da pessoa humana, como ocorre em diversas redes que combatem o desperdício, eles são literalmente atirados ao chão.
A prática é feita com a expectativa velada de que pessoas em situação de vulnerabilidade recolham os materiais diretamente do pavimento, sem qualquer cuidado sanitário. Um morador de rua desabafou sobre a situação: “Você sabe que eles preferem jogar a alimentação no lixo a dar para os moradores”, afirmou.
Falta de infraestrutura básica
Além da questão ética e humanitária, há uma falha grave na gestão de resíduos sólidos da empresa. Mesmo que optasse pelo descarte integral, o estabelecimento deveria, no mínimo, manter um contêiner adequado para acondicionar os detritos. Atualmente, os restos de comida são despejados todas as noites na calçada, sem embalagens reforçadas ou recipientes que impeçam a proliferação de vetores e o mau cheiro em um dos pontos turísticos mais importantes de Belém.
Em um dos vídeos, ao ser questionado, um funcionário minimiza o impacto ambiental e visual: “No outro dia isso vai estar limpo”. No entanto, o autor da gravação rebate a postura da empresa: “Vocês jogam o lixo aqui como se as pessoas fossem cachorros”.
A reportagem tentou contato com a administração do supermercado localizado na galeria térrea do Edifício Manoel Pinto da Silva, mas não obteve sucesso, uma vez que a empresa não disponibiliza canais oficiais para atendimento à imprensa. Também buscamos um posicionamento da Prefeitura de Belém sobre a fiscalização no local e aguardamos resposta. O espaço permanece aberto.
Veja o vídeo:



