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Búfalos viram “viaturas” da polícia no Marajó e garantem patrulhamento onde carros não chegam

Na Ilha de Marajó, no Pará, policiais militares utilizam búfalos para patrulhar áreas de difícil acesso. Adaptados ao terreno alagado, os animais garantem mobilidade em regiões onde viaturas e até cavalos não conseguem atuar.

Enquanto em grande parte do Brasil o policiamento depende de viaturas e motos, na Ilha de Marajó a realidade é outra. No município de Soure, agentes da Polícia Militar utilizam búfalos como meio de locomoção para patrulhar áreas urbanas e rurais.

A escolha não tem relação com tradição ou estética — é uma necessidade imposta pelo ambiente. A região é marcada por extensas áreas alagadas, mangues e terrenos instáveis, onde veículos convencionais não conseguem circular com eficiência. Nem mesmo cavalos apresentam o mesmo desempenho.

Segundo o capitão Mario Nascimento Marques, do 8º Batalhão da PM, os búfalos oferecem vantagens decisivas. “Eles têm mais força, maior tração e conseguem andar na lama e na água com a mesma facilidade que em terreno seco”, explica. Por isso, são considerados verdadeiros “tanques de guerra” no policiamento local.

O uso dos animais começou em 1992, com apenas quatro búfalos. Hoje, sete integram a tropa e participam do policiamento ostensivo. Além da resistência, outro fator importante é a adaptação natural dos animais ao ambiente marajoara. Seus cascos são mais resistentes à umidade, e eles conseguem se alimentar até mesmo em áreas alagadas, o que garante energia durante longos deslocamentos.

Com cerca de 60% do território coberto por mangues, a mobilidade na ilha exige soluções específicas. “No Marajó, quem dita as regras é a água”, resume o capitão. Nesse cenário, os búfalos conseguem acessar comunidades isoladas e áreas onde nem carros nem motos chegam.

Além do policiamento, os animais fazem parte do cotidiano da população local. São utilizados no transporte de pessoas, cargas, coleta de lixo e até em serviços de entrega. Também têm papel importante na economia, com produção de carne, leite e couro.

A presença dos búfalos é tão marcante que o animal se tornou símbolo do próprio batalhão da PM na região. Mais do que uma curiosidade, o uso desses animais mostra como a adaptação ao ambiente pode ser mais eficiente do que qualquer tecnologia em contextos específicos.

No arquipélago marajoara, inovação não significa necessariamente modernização — mas sim entender o território e trabalhar com ele.

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