
A visita de Flávio Bolsonaro ao Pará nesta quinta-feira (11) serviu para reunir praticamente todas as principais lideranças identificadas com a direita paraense. Em Altamira, estiveram presentes nomes como Éder Mauro, Joaquim Passarinho, Rogério Barra, Delegado Caveira e o senador Zequinha Marinho.
Mas uma ausência chamou atenção.
Daniel Santos, pré-candidato ao Governo do Pará pelo Podemos, partido presidido no estado justamente por Zequinha Marinho, não participou da agenda realizada em Altamira e também não utilizou suas redes sociais para comentar a passagem de Flávio pelo estado.
O silêncio foi percebido principalmente entre setores bolsonaristas, que esperavam algum gesto público de aproximação, especialmente diante da aliança eleitoral construída entre o grupo de Daniel e lideranças do PL para a disputa estadual.
A situação reforçou uma crítica recorrente feita por adversários e até por parte da direita paraense: a de que Daniel busca ocupar uma posição política cuidadosamente calculada para não desagradar diferentes segmentos do eleitorado.
Isso é reforçado porque ao longo de sua trajetória política, Daniel transitou por diferentes partidos e correntes políticas. Passou pelo PSDB, MDB, PSB e atualmente está filiado ao Podemos. Sua tentativa mais recente de viabilizar uma candidatura ao Governo do Pará ocorreu justamente pelo PSB, legenda tradicionalmente associada ao campo de centro-esquerda.
Ao mesmo tempo, sua atual composição política inclui setores conservadores e partidos ligados à direita paraense e à família Bolsonaro.
Essa movimentação faz com que haja uma estratégia de ampliação eleitoral baseada na ocupação do centro político. Daniel procura evitar posicionamentos mais contundentes em temas que costumam dividir a opinião pública, preservando pontes tanto com eleitores conservadores quanto com segmentos moderados e até mesmo setores da esquerda.
Dessa forma, a estratégia é atrair votos da direita sem assumir integralmente as pautas defendidas por esse campo político.
Enquanto lideranças como Éder Mauro, Delegado Caveira, Zequinha Marinho e Joaquim Passarinho adotam posicionamentos públicos claros em temas nacionais, Daniel costuma evitar manifestações que possam vinculá-lo diretamente a qualquer dos polos ideológicos.
Nos bastidores, essa postura gera avaliações divergentes.
De um lado, acredita-se que Daniel tenta construir uma candidatura ampla, capaz de dialogar com diferentes setores da sociedade paraense. Por outro, o pré-candidato procura manter um pé em cada campo político, evitando definições que possam custar votos.
A ausência nos eventos de Flávio Bolsonaro acabou reforçando essa percepção.
Num momento em que as alianças para 2026 começam a ganhar forma e os pré-candidatos são pressionados a demonstrar com mais clareza suas posições, Daniel continua apostando na moderação e na ambiguidade estratégica.
Resta saber se essa postura continuará sendo um ativo eleitoral ou se, com o avanço da campanha, a pressão por um posicionamento mais claro se tornará inevitável.



