A Polícia Civil do Pará investiga a suposta elaboração e circulação de uma lista com nomes e fotografias de mais de 60 mulheres entre estudantes de instituições particulares de ensino superior de Belém. O caso está sob responsabilidade da Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos (DECCC) e tramita sob sigilo.
Segundo as informações registradas em boletim de ocorrência, o material circulou em grupos virtuais frequentados por universitários e apresentava classificações e avaliações de cunho sexual sobre as mulheres. Uma das categorias utilizadas seria “comível”. As imagens teriam sido retiradas de perfis públicos ou acessíveis no Instagram.
Entre as pessoas incluídas na lista estariam universitárias e jovens ligadas a escolas de ensino médio. De acordo com o relato apresentado à polícia, algumas das mulheres expostas seriam adolescentes.
Caso chegou à Polícia Civil
Um dos estudantes que teve contato com a situação, Bruno César, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Virtual. O caso foi inicialmente registrado como difamação.
No relato, Bruno afirma que tomou conhecimento da lista enquanto estava em um ambiente virtual com amigos. Segundo ele, ao perceber o conteúdo, chegou a advertir um dos participantes sobre a gravidade da exposição das mulheres e sobre possíveis consequências da conduta.
Ainda conforme o boletim, mesmo depois do alerta, uma nova lista teria sido produzida com dezenas de fotografias retiradas de perfis do Instagram. Bruno relatou posteriormente ter identificado duas primas entre as mulheres incluídas no material.
O estudante também declarou à polícia que o episódio teria provocado reflexos no ambiente acadêmico e afirmou ter passado a se sentir ameaçado e discriminado.
Estudante admite participação
Um dos estudantes citados no caso, Zeno de Lucas Almeida Ribeiro, se manifestou nas redes sociais e reconheceu ter contribuído para a elaboração do material. Ele, porém, negou ser o responsável pela criação da lista.
Segundo a manifestação, Zeno teria fornecido ideias e imagens utilizadas na produção do conteúdo. Em outro relato, afirmou que apenas repassava fotografias que eram solicitadas. O estudante declarou arrependimento pela participação.
Zeno também afirmou que Bruno Drian Lima e Jean Vitor não participaram da criação da imagem que posteriormente passou a circular. Ele atribuiu a idealização e a produção do material a outra pessoa, cuja identidade não revelou publicamente.
A investigação continua sob responsabilidade da Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos. Como o procedimento tramita em sigilo, a Polícia Civil não divulgou detalhes sobre eventuais outras pessoas investigadas ou sobre as próximas etapas do caso.



