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Belém quer devolver o Centro Histórico aos pedestres com calçadões e ruas de baixa velocidade

Projeto Belo Centro prevê redução da circulação de veículos, ampliação de áreas para caminhadas e ações para combater ilhas de calor na região mais antiga da capital.

Por décadas, o planejamento urbano brasileiro priorizou o automóvel. Ruas foram alargadas, praças perderam espaço e o fluxo de veículos passou a ditar a organização das cidades. Agora, uma proposta em discussão para o Centro Histórico de Belém segue um caminho oposto: devolver parte desse espaço aos pedestres.

O projeto Belo Centro, apresentado pela Prefeitura de Belém com apoio de organizações internacionais ligadas à agenda climática, prevê uma série de intervenções urbanas que podem mudar a forma como moradores e turistas circulam pela região histórica da capital paraense.

A principal mudança é a redução da presença dos carros em áreas consideradas estratégicas para o patrimônio histórico e para a vida urbana. A proposta prevê transferir parte do tráfego para vias periféricas, permitindo que ruas tradicionais ganhem características mais voltadas à convivência, ao turismo e à circulação de pedestres.

Entre as medidas previstas está a implantação de uma Zona 30 na Cidade Velha. Esse modelo, já utilizado em diversas cidades da Europa e da América Latina, estabelece velocidade máxima de 30 km/h em áreas de grande circulação de pessoas. O objetivo não é apenas reduzir acidentes, mas tornar as ruas mais confortáveis e seguras para caminhar.

Outra intervenção importante envolve a criação de novos calçadões. Ruas próximas ao Mercado de Carne deverão ser convertidas em áreas exclusivas para pedestres, enquanto a histórica Siqueira Mendes passará por adequações para privilegiar caminhadas sem comprometer a preservação do pavimento original.

Na prática, urbanistas defendem que esse tipo de transformação fortalece o comércio local, aumenta o fluxo de visitantes e melhora a ocupação dos espaços públicos. Experiências semelhantes em centros históricos de cidades como Lisboa, Barcelona e Bogotá demonstraram que ruas menos dependentes de carros tendem a atrair mais pessoas e gerar maior permanência nos espaços urbanos.

O projeto também prevê ampliação de calçadas, instalação de piso tátil, travessias elevadas e melhorias de acessibilidade. Embora pareçam intervenções simples, elas ajudam a tornar a cidade mais inclusiva para idosos, pessoas com deficiência e famílias com crianças.

Outro aspecto relevante é o enfrentamento das chamadas ilhas de calor. Estudos apontam que áreas centrais muito pavimentadas e com pouca arborização podem registrar temperaturas significativamente mais altas que regiões arborizadas. Por isso, o Belo Centro inclui um plano de ampliação da cobertura vegetal, especialmente no bairro da Campina, uma das áreas mais impermeabilizadas da região central.

Mais do que uma obra de revitalização, o projeto representa uma mudança de conceito sobre o uso das ruas. A lógica deixa de ser exclusivamente a fluidez dos veículos e passa a considerar fatores como conforto térmico, mobilidade ativa, patrimônio histórico e qualidade dos espaços públicos.

Se executadas integralmente, as intervenções podem representar uma das maiores transformações urbanas do Centro Histórico de Belém nas últimas décadas, aproximando a capital paraense de tendências internacionais que buscam cidades mais caminháveis, acessíveis e adaptadas às mudanças climáticas.

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