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Belém é a capital brasileira com as piores calçadas

Uma pesquisa divulgada pelo Portal Mobilize revela aquilo que os pedestres de Belém já sabem há muito tempo: as calçadas de Belém são as mais precárias do Brasil, em ranking que analisa todas as 26 capitais estaduais e Brasília, nossa capital federal.

O estudo analisa a qualidade do piso, largura do passeio, inclinação e degraus e a existência de barreiras e rampas de acessibilidade. A partir desses quesitos, as cidades recebem uma nota que varia de 0 (piores calçadas) a 10 (melhores calçadas).

A nota de Belém foi de 4,52, sendo a capital com menor nota e que não conseguiu sequer atingir pontuação regular. Na outra ponta, São Paulo conseguiu atingir o melhor desempenho entre todas as capitais brasileiras com nota de 6,93, porém ainda longe da média mínima satisfatória.

“Em Belém do Pará, as calçadas em geral são mal cuidadas, com pouca ou nenhuma regulamentação, e quanto mais afastado o bairro, mais precária é a qualidade do passeio público”, revela o historiador e mestre em desenvolvimento sustentável Leonard Grala, responsável pela pesquisa na capital paraense.

Obstáculos e má conservação da calçada: riscos ao pedestre. Foto: Cris Viana

O estudo revela que Belém está longe de ser uma cidade caminhável, pois as calçadas são desconectadas, cada um usa seu próprio critério para construir o passeio e o resultado é uma bagunça.

Houve até uma tentativa de padronizar as calçadas por parte do poder público, com a criação de um código construtivo de referência, porém a iniciativa não teve êxito, pois ficou restrito a alguns pontos da cidade como em frente de órgãos públicos e de alguns edifícios novos.

Exemplo de passeio bem padronizado na frente do Hospital do Exército, bairro Umarizal. Foto: Igor Brito

“Em gestões passadas, tentou-se disciplinar seu uso, mas a prefeitura só conseguiu avançar um pouco em áreas sob sua responsabilidade”, conta Grala: “O prefeito anterior quis disciplinar o uso das calçadas implantando piso tátil diante de alguns prédios públicos. Mas ao tentar pressionar os proprietários de imóveis particulares, houve uma revolta generalizada e a iniciativa não prosperou.” 

Na questão sobre acessibilidade das calçadas com implementação de rampas para os pedestres com mobilidade reduzida, o próprio poder público municipal descumpre as regras ao não obedecer as normas padrão estabelecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Além disso, o costume de jogar asfalto sob asfalto, sem o cuidado de raspar o antigo, prejudica as rampas de acessibilidade, não é à toa que é comum em Belém o uso de gradil usados para transpor as sarjetas profundas desniveladas por diversas camadas de asfalto.

Exemplo padrão de sarjeta e o que se encontra comumente pelas ruas de Belém. Foto reprodução: Internet

Arborização – Com relação a arborização, percebe-se uma desigualdade espacial em suas distribuição na cidade. Enquanto os bairros centrais possuem farta arborização, gerando conforto térmico aos transeuntes nas calçadas, já pela periferia da cidade, entretanto, a arborização das calçadas é quase inexistente. Em outra pesquisa realizada pelo IBGE revelou que Belém é a capital brasileira menos arborizada, apesar de estar no meio da Amazônia e ser uma capital com clima quente e úmido.

“As sombras estão mais na região central, isso graças a um plano de plantio de árvores realizado por um arquiteto há cem anos, mas que não teve expansão na cidade após esse período”, revela Grala.

Calçada com rachaduras, sem nenhuma manutenção, em área escolar. Foto: Leonard Grala.

A conclusão do estudo diz que Belém está visualmente mal cuidada; muitos equipamentos são resquícios de administrações anteriores; há uma grande variação na largura das calçadas e muitos (e acentuados) desníveis entre a calçada e a rua, o que dificulta especialmente os cadeirantes. Por sua vez, os moradores não têm qualquer compromisso com normas mínimas de circulação, e a prefeitura, a quem cabe fiscalizar, não age de maneira contundente para resolver a questão. 

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