ColunaCONTRATOS SEM LICITAÇÃODENÚNCIA

A estratégia de Helder para diminuir a perda exponencial de capital político

Por Eduardo Cunha

A fórmula é velha e bebe na fonte na eficiente propaganda nacional socialista e bolchevique: impeça seu adversário de falar e divulgue sua versão dos fatos aos quatro cantos. 

Já no início da pandemia, a  lei da “censura”, como ficou conhecida a lei que o governador Helder Barbalho, mesmo sem competência, tentou criar, a qual um de seus artigos previa o esdrúxulo crime de falar mal de autoridade ou político, e, até mesmo a perseguição pela Polícia Civil a alguns blogueiros que criticavam condutas escandalosas do governo, já era um forte indício da estratégia que passaria a usar.

Com a operação “SOS” ocorrida há poucos dias e que buscou desbaratar uma quadrilha que desviava recursos públicos na área da saúde fraudando contratos entre o Governo do Pará e Organizações Sociais (OS) e que concluiu ser Helder Barbalho o “possível chefe da organização criminosa”, a vida do governador ficou bem mais difícil, uma vez que pesa sobre ele a possibilidade de ter o mesmo final do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, qual seja: o afastamento. 

Hackers – Horas após os meios de comunicação começarem a ter acesso a operação SOS, na terça-feira, 29, e fazer as primeiras chamadas explicando do que se tratava e quem eram seus alvos, alguns sites – principalmente aqueles que costumam criticar as ações do Governo do Estado – sofreram um ataque sistemático de hackers e foram tirados do ar.

O portal de notícias Roma News passou em torno de quatro horas sob ataque e chegou a ficar fora do ar por alguns minutos. O portal Pará Web News chegou a cair e ficou quatro dias fora do ar.

Bairros sem energia elétrica – Coincidentemente também, houve relatos de que muitos bairros de Belém ficaram sem energia elétrica por quase toda a tarde do dia 29 passado, portanto, sem acesso à internet Wi-Fi e televisão. 

ALEPA sem sessão – Também na terça-feira, 29, o presidente da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), sem motivos aparentes, suspendeu a sessão do dia. Conta-se que supostamente próprio Helder Barbalho interveio com a finalidade de evitar discursos acalorados e manifestações públicas sobre a operação “SOS” dos poucos deputados que lhe fazem oposição. 

Propaganda do Governo do Pará – A resposta do Governo do Estado que passou-se a veicular nas TVs, rádios e outras mídias não poderia ser mais evasiva e claudicante, nela, o governador Helder Barbalho sustenta que o valor pago na compra dos respiradores chineses já foi todo restituído ao Erário, como se a operação “SOS” se baseasse apenas neste contrato.

No mais, Helder Barbalho aposta, mesmo, é na narrativa de que “fez o que fez para salvar o povo paraense da pandemia”.

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