INTERNACIONAL

Jornalista e candidata é assassinada a tiros durante campanha no Peru; polícia investiga crime por encomenda

Susy Aponte, conhecida como “La China Polo”, havia denunciado ameaças dias antes de ser morta em um mercado de Caraz. Três pessoas foram detidas e a investigação busca identificar quem teria ordenado o ataque

A jornalista e candidata ao Governo Regional de Áncash, no Peru, Susy Isabel Aponte Polo, conhecida como “La China Polo”, foi assassinada a tiros no sábado (19), durante uma atividade de campanha em Caraz, na província de Huaylas. O ataque ocorreu em um mercado, quando ela fazia campanha acompanhada de integrantes e apoiadores do movimento Socios por Áncash. Cinco pessoas também ficaram feridas.

Quem era Susy Aponte

Susy Aponte era jornalista e ganhou notoriedade em Áncash por meio do portal e programa “China Polo Dominical”, no qual publicava denúncias e reportagens sobre supostas irregularidades envolvendo autoridades, órgãos públicos, Polícia, Ministério Público, obras e casos relacionados ao crime organizado. Paralelamente à atividade jornalística, ela entrou na disputa eleitoral de 2026 como candidata ao governo regional pelo movimento Socios por Áncash.

A eleição regional e municipal do Peru está marcada para 4 de outubro. Aponte participava da campanha a menos de três semanas do pleito quando foi morta. A Defensoria do Povo peruana confirmou o assassinato e pediu medidas de proteção para os demais candidatos que participam do processo eleitoral.

Como aconteceu o ataque

Segundo informações divulgadas pela Polícia e pelo Ministério Público, o ataque ocorreu por volta das 12h40, na avenida Ramón Castilla, nas proximidades do mercado de Caraz. A candidata estava em uma atividade proselitista quando um homem armado abriu fogo contra ela e outras pessoas que estavam no local.

Aponte foi atingida pelos disparos e morreu após o ataque. A informação mais recente divulgada pelas autoridades aponta cinco pessoas feridas por projéteis de arma de fogo. Os feridos foram encaminhados ao Hospital San Juan de Dios, em Caraz, e parte deles precisou ser transferida para Huaraz.

Primeiro suspeito foi preso com arma

Pouco depois do crime, a Polícia Nacional do Peru prendeu um cidadão venezuelano apontado inicialmente como possível autor material do ataque. Uma arma de fogo foi apreendida durante a intervenção e passou a ser submetida à investigação para verificar se foi utilizada no assassinato.

Posteriormente, o Ministério Público informou que havia três pessoas detidas por possível participação no crime. Segundo o fiscal da Nação, Tomás Gálvez, entre os envolvidos estaria o suposto atirador, uma pessoa que teria transportado o executor e um possível financiador do ataque. As autoridades ainda investigam o grau de participação de cada um.

Investigação passou a considerar crime por encomenda

Inicialmente, o Ministério Público abriu uma investigação preliminar pelo suposto crime de feminicídio. No domingo (20), porém, a Segunda Fiscalía Provincial Penal Corporativa de Huaylas passou a tratar o caso como possível sicariato, modalidade correspondente ao assassinato cometido por encomenda.

Entre as diligências estão a coleta dos depoimentos das pessoas feridas, análise de câmeras de segurança, investigação sobre um hotel onde um dos suspeitos teria se hospedado e uma perícia de absorção atômica para verificar possível uso de arma de fogo. A necropsia de Aponte também foi determinada.

Jornalista havia denunciado ameaças dias antes

Um dos pontos que passou a ser analisado pelas autoridades é que Aponte havia relatado publicamente ameaças contra sua vida antes do assassinato. Em uma publicação feita em 10 de setembro, nove dias antes do crime, ela afirmou ter recebido ligações provenientes de três estabelecimentos penitenciários com advertências sobre um possível atentado.

Na gravação, a jornalista também acusou publicamente o general da Polícia Nacional Víctor Revoredo Farfán, então chefe da Direção de Investigação Criminal (Dirincri), de estar por trás de uma suposta ordem para atacá-la. Essa acusação partiu da própria Aponte e não representa, até o momento, uma conclusão das autoridades sobre a autoria intelectual do assassinato. A investigação deverá apurar se as ameaças anteriores têm relação com o crime.

Mudança no comando da polícia

Um dia após o assassinato, Revoredo deixou o comando da Dirincri e foi designado para a Direção de Assuntos Internacionais da Polícia Nacional do Peru. Ricardo Espinoza Cuestas passou a ocupar a chefia da Dirincri. A mudança foi formalizada por resolução publicada no diário oficial peruano.

A troca ocorreu no contexto das mudanças realizadas na estrutura da Polícia, enquanto as investigações sobre a morte de Aponte avançavam. Não há, nas informações consultadas, conclusão oficial que vincule a mudança de cargo à investigação do assassinato.

O que ainda precisa ser esclarecido

Apesar das detenções, a investigação ainda precisa determinar quem teria planejado e ordenado o assassinato, qual teria sido a motivação e se as ameaças denunciadas anteriormente pela jornalista possuem relação direta com o ataque. O próprio fiscal da Nação afirmou que existem hipóteses sobre a possível autoria intelectual, mas que os detalhes não foram divulgados para não prejudicar as diligências.

No campo eleitoral, a morte de Aponte também tem consequência direta: segundo informações sobre o regulamento eleitoral peruano, a fórmula de governador e vice-governador do Socios por Áncash fica fora da disputa após a morte da candidata, enquanto a lista da organização para o Conselho Regional pode continuar no pleito de 4 de outubro.

Etiquetas

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar