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ZPE de Barcarena terá refinaria e fundição de metais preciosos a partir de 2028

Projeto da Bravo Metals prevê processamento de platina, paládio, ródio, níquel e ouro, com expectativa de gerar 900 empregos e ampliar a verticalização mineral no Pará

A Bravo Metals apresentou nesta quarta-feira (9), na Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), o projeto para instalação de uma refinaria e uma fundição de metais preciosos na ZPE de Barcarena.

A unidade será implantada em uma área de 50 hectares e terá como objetivo realizar no próprio Pará etapas de maior valor agregado do processamento mineral. O empreendimento será vinculado ao Projeto Luanga, desenvolvido pela Bravo Mining em Curionópolis, no sudeste do estado.

No município, estão previstas a mina e a planta de beneficiamento. Já em Barcarena ficarão as etapas de refino e fundição, permitindo que o concentrado mineral seja transformado antes de ser destinado à exportação.

Segundo a empresa, a Bravo Metals será a empresa âncora da ZPE de Barcarena.

O projeto prevê o processamento de minerais do grupo da platina, como platina, paládio e ródio, além de níquel e ouro. A proposta é ampliar a verticalização da cadeia mineral dentro do próprio estado, agregando valor ao produto antes de sua comercialização no mercado internacional.

Operação deve começar em 2028

A previsão apresentada pela empresa é de que a refinaria e a fundição entrem em operação em 2028. Antes disso, as obras devem começar no primeiro semestre de 2027.

Durante a construção, a estimativa é de geração de aproximadamente 500 empregos. Na fase de operação, outros 400 postos de trabalho devem ser criados.

A expectativa da Bravo Mining é que 80% da mão de obra utilizada no empreendimento seja formada por trabalhadores paraenses.

De acordo com o CEO da empresa, Luís Azevedo, a decisão de realizar o processamento em Barcarena também está relacionada aos custos logísticos envolvidos na exportação do concentrado mineral.

Sem a unidade no Pará, o concentrado precisaria ser enviado para outros mercados antes de passar pelas etapas de processamento de maior valor agregado. A empresa avalia que essa alternativa aumentaria os custos logísticos e deixaria o produto sujeito a um mercado com poucos compradores.

Economia circular

Além da verticalização mineral, o projeto apresentado pela Bravo Metals prevê o aproveitamento de subprodutos gerados durante o processo industrial.

A unidade deverá produzir aproximadamente 120 mil toneladas de ácido sulfúrico por ano a partir dos gases de enxofre gerados no processo. O produto poderá ser comercializado para indústrias de fertilizantes instaladas no polo industrial de Barcarena.

A escória, outro material resultante do processo de fundição, também deverá ser reaproveitada. A previsão é de utilização pela indústria cimenteira ou pelo agronegócio no Pará.

A proposta é transformar materiais que seriam considerados resíduos em insumos para outras atividades econômicas. Segundo a empresa, esse modelo caracteriza uma estratégia de economia circular, conectando diferentes cadeias produtivas existentes no estado.

ZPE como polo de atração industrial

A instalação da Bravo Metals também é apresentada como uma oportunidade para ampliar o papel da ZPE de Barcarena na atração de novos investimentos.

Para o presidente do Sistema FIEPA, Alex Carvalho, a presença de uma empresa âncora pode criar condições para aumentar a agregação de valor à produção paraense e estimular a instalação de outros empreendimentos.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia, Mauro Bastos, também avaliou que a chegada da Bravo Mining pode contribuir para atrair novas empresas e fortalecer a economia do estado.

Já o secretário de Estado da Fazenda, René de Oliveira e Sousa Júnior, destacou a necessidade de manter o Pará competitivo na atração de investimentos diante das mudanças provocadas pela reforma tributária.

Segundo ele, o estado trabalha na criação de condições para estimular a instalação e a manutenção de empreendimentos industriais e de empregos.

Próximas etapas

De acordo com Antonio de Pádua Rodrigues, diretor da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), a implantação da ZPE envolve a articulação entre órgãos públicos, setor produtivo e demais instituições participantes do projeto.

Com a aprovação da ZPE, a expectativa é avançar para a implantação da infraestrutura necessária. A previsão apresentada é de que pelo menos 10% da construção esteja implantada nos próximos dois anos.

A proposta da Bravo Metals coloca Barcarena como ponto estratégico de uma cadeia que começa na extração e no beneficiamento dos minerais em Curionópolis e segue até o refino e a fundição no nordeste do Pará.

Se o cronograma previsto for mantido, a operação da unidade a partir de 2028 deverá representar uma nova etapa de processamento de minerais estratégicos dentro do próprio estado, com geração de empregos, aproveitamento de subprodutos industriais e agregação de valor antes da exportação.

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